terça-feira, 18 de agosto de 2015

Poema - Doce Mãe Oxum!


Por Paulo Cesar de Omolu, mais Um na Banda!

SALVE DOCE MÃE OXUM,

QUE NO SEU COLO EU POSSA ME DEITAR, 
ME AMPARE CURANDO TODA AS MÁGOAS E TRISTEZAS.
MÃE OXUM SENHORA DO PURO AMOR, 
RECEBEU DE OLORUM A MISSÃO DE ENSINAR A HUMANIDADE O QUE É O AMOR... 

OH DOCE MEIGA OXUM, 
MÃE SENHORA DA CONCEPÇÃO, 
ME AJUDE COM A MINHA ESCURIDÃO QUE ENCONTRA O MEU CORAÇÃO, 
ME LAVE COM SUAS ÁGUAS, ME LAMBUZA COM O SEU MEL, MEL DO AMOR.

SÓ A SENHORA DOCE MÃE OXUM SABE O QUE EU PASSO.

ME ENSINA A TER AMOR E TRANSMITIR AMOR. 
OH DOCE MÃE OXUM SENHORA DAS ÁGUAS DOCES, DO MAIS BELO OURO, SENHORA DA FERTILIDADES.

ROGAI POR MIM, MINHA MÃE OXUM,
AO SEU COLO, AO SEU LADO REPOUSAREI,
NOS PÉS DA CACHOEIRA ME DEITEI. 

SALVE SENHORA DO PURO AMOR. 

ORA YEYE OO OXUM.

sábado, 15 de agosto de 2015

O Poder de uma Palavra!



por Cristiano Trevelino, mais Um na Banda!
Inspirado por Pai Jacinto de Angola 

Todos nós, médiuns bem formados e com bom senso, sabemos da responsabilidade que é ser médium e principalmente de dar consulta, claro que sabemos que fica nas mãos da espiritualidade todo esse processo e se ela está falando, tem um porém, uma causa e uma necessidade. 

Muitas vezes nos deparamos com médiuns que não estão no ápice do seu desenvolvimento, muitas vezes ainda não confirmados e são colocados para dar consultas, sendo que não estão preparados para tal.

Isso é um perigo, pois estão lhe dando com a vida de uma pessoa, com um problema dela e até mesmo uma situação onde ela precisa de um amparo, de uma palavra em que acalme, tranquilize, traga paz, e nessa hora uma palavra errada, até mesmo colocada de forma indevida ou ainda de uma forma em que ela entenda de forma errada, pode mudar a vida dela e o que estava ruim com certeza piora. 

Por exemplo, a pessoa chega para tomar um passe, escutar uma palavra de paz e um médium mal preparado fala pra ela que ela está carregada, que fizeram um trabalho de magia negra, ou até mesmo que alguém da família irá morrer, naquela hora a pessoa começa a ficar transtornada, o que era para deixa-lá melhor acaba piorando a situação, o psicológico já fica afetado, achando que algo de ruim vai acontecer e ela própria começa a gerar um pensamento negativo, começa a associar tudo que dá errado com aquilo que lhe foi falado, aí já viu, aquilo se transforma numa bola de neve e ela fica pior, pior e pior.

O trabalho que já era árduo fica pior, pois além de lhe dar com o problema da pessoa teremos que lhe dar com algo que julgo ser pior, que é o mental dela, o psicológico que ficou abalado, afetado por uma palavra mal dita, mal colocada e até mesmo mal explicada, pois precisaremos desconstruir o que ela construiu ou até mesmo está construindo desde que passou por isso. 

O mental tem uma força que pode criar um abismo na própria pessoa, gerando só energias negativas e isso acaba afetando não só o psicológico, mas o espiritual e o físico, onde pode acabar até fazendo com que ela adoeça. 

Por isso nós sacerdotes, dirigentes, pais e mães de santo, babalaôs, enfim, devemos ter muita calma e não pular etapas quando tratamos do desenvolvimento mediúnico de um filho de santo, onde o mesmo deve estar muito preparado para atender uma pessoa, seguro e acreditando sempre na espiritualidade que lhe acompanha, para que assim não aconteça nada de inesperado para um consulente e que o mesmo possa sair bem e levando aquilo que foi encontrar, conforme seu merecimento e sua necessidade.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Umbanda na Atualidade



Por Carla Real Deva Nadeen, Mais Um na Banda!

A Umbanda é uma religião nova, foi fundada em 15 de novembro de 1908, pelo Caboclo das 7 encruzilhadas incorporado no seu médium Zélio Fernandino de Moraes, ou seja, tem 107 anos, acredito que ainda não está totalmente pronta, aqui no plano material, avançou muito com toda a literatura que meu mestre e Pai espiritual Rubens Saraceni nos trouxe através da psicografia, estamos avançando e nos adaptando a essa nova sociedade que é exigente e vive na correria, temos os cursos no sistema Ead que facilita muito na expansão e multiplicação dos aprendizados, hoje não tem mais a desculpa de não ter tempo para estudar, fora as redes sociais que é um meio por onde se troca informações e aprendizados positivos, mas que tem um outro lado, que devemos ficar atentos, pois existem sempre informações descabidas e fora do propósito onde é preciso peneirar algumas informações, não adianta obter muitas informações e querer colocar tudo o que se estuda dentro da Umbanda, a Umbanda tem fundamentos próprios e os bons ensinamentos que temos hoje em dia, não descaracteriza mas soma, os que descaracterizam a ritualística da umbanda, para mim não são bons, são bons para outro segmento, mas para fazer e ter esse discernimento eu preciso ter conhecimento e preciso sim consultar minhas forças antes de sair estudando e cultuando tudo que aparece pela frente porque todo mundo esta fazendo, eu não sou todo mundo, simples assim, não vou em modinhas, não tenho panelas, não gosto de panelinhas e não sigo panelinhas porque as panelas são perigosas porque quem não faz parte da panela é excluído e quem está dentro fica com medo de emitir opinião sobre algo que não concorda por medo de ser banidos do grupo e um acaba acobertando o outro e ninguém expõe o que realmente pensa e isso para mim, não é união, amizade, porque na amizade verdadeira, na união verdadeira as pessoas tem liberdade para colocarem suas opiniões, as pessoas não tem medo de dizer que não concordam com algo, então panelas, caiam fora disso, procurem estudos sérios, fundamentados que somem, simples assim.

Ainda vejo muitos umbandistas reticentes quanto aos estudos, é claro que os guias sabem tudo, e por isso pedem para estudarmos e se não pedem é porque o médium tem uma barreira quanto a isso e o guia respeita. 

Na minha opinião o conhecimento liberta, vi a diferença em mim como eu era e como sou hoje com os estudos, eu pedi para ser direcionada para um estudo sério pois ia lidar com vidas e queria entender o que eles (guiais)faziam, médium que não estuda, se trava, não expande seu mental, fica dependente dos guias para tudo, quando estudamos expandimos o mental, os guias podem nos passar muitas informações, que se antes soariam estranhas, com o aprendizado não soarão mais, além de nos tornarmos mais independentes, é isso que os guias querem pois pessoas dependentes não evoluem. 

O dia que entenderem isso, estudarem, o trabalho fica mais fácil, evoluiremos, cresceremos e aprenderemos a esgotar os nossos negativismos.

As oferendas também sofrendo adaptações no seu modo de serem feitas, mais ecológicas para não danificar o meio ambiente que é o ponto de forças de nossos amados Pais e Mães Orixás onde vivem, zelam e guardam e esperam o mesmo de nossa parte; não se faz mais oferendas nas ruas, temos os santuários de umbanda para isso.

As ritualísticas práticas de terreiro também sofreram um avanço, nos tempos atuais da época que eu desenvolvi a mediunidade, os sacerdotes estão mais "próximos" de seus médiuns, hoje a sacerdotisa e o sacerdote precisam aprender tudo dentro do seu templo desde a limpeza do chão até a administração geral e estudar para poder dar as respostas corretas aos questionamentos de seus médiuns, não cabe mais a resposta antiga: 
"Não está na hora de você saber isso", porque o filho vai pesquisar e vai achar quem responda. 

Só devemos também tomar cuidado para não perdermos com tanta modernidade os fundamentos rituais da umbanda e observarmos o que os guias querem para a sua Casa, os dirigentes são as pessoas que as forças espirituais confiaram para colocar em prática e no plano terreno o que já estava planejado no espiritual, os verdadeiros donos do centro, terreiro ou templo são as forças espirituais, os dirigentes não podem sair fazendo tudo o que querem, alterando as coisas a seu bel prazer, não somos mais que nossas forças espirituais porque estudamos, quem age assim está no ego e não consulta suas forças antes de fazer ou trazer algo para seu terreiro, centro ou templo (como queiram chamar) a Umbanda é magística por natureza e os guias necessitam sim de elementos para trabalharem, as novidades que se chegam também devem ser peneiradas, pois o caboclo precisa do charuto, o preto velho do cachimbo o exu da bebida, etc não porque são viciados mas para manipular magicamente esses elementos em benefício do próximo e de seu médium; o fumo na umbanda é manipulado pelos guias para limpeza do campo áurico, do ambiente, etc a bebida funciona como um contraste para os guias e não adianta substituir por água porque a cana possui outras propriedade que a água, devemos estar atentos para não tirarmos dos guias os elementos que lhes são necessários e tem fundamentos porque nos achamos melhores que eles porque estudamos, isso é ego que deve ser trabalhado, na minha opinião.

Acredito que devemos sim, nos respeitarmos mais, independente de vertentes que se segue, pois a falta de respeito dos umbandistas devido a essas separações por vertentes “enfraquece” a umbanda num todo, pois as pessoas passam a se verem como concorrentes e não somos concorrentes, somos irmãos em Deus, ninguém é melhor que ninguém, não preciso seguir a vertente de um irmão mas posso e devo respeitar a maneira dele de vivenciar a umbanda, sem as famosas críticas por se acharem os donos da verdade porque Deus é o único dono da verdade, é deixar o ego de lado e respeitar, pois se não temos esse respeito entre os umbandistas, não adianta cobrar de fora quando pedimos não a intolerância religiosa, essa deveria começar a ocorrer dentro da Umbanda, dentro do terreiro com os irmãos se respeitando e não sendo intolerantes uns com os outros, aí sim poderemos nos unir contra a intolerância religiosa externa.

Acredito que com os avanços e adaptações aos tempos atuais, chegaremos nessa união de fato. A Umbanda está em nós, de dentro para fora, vejo a umbanda como as fases de vida de um ser: Nascimento, engatinhar, quedas ao começar a andar, rebeldia durante a adolescência, amadurecimento para se firmar de maneira sábia e a contento de todos.

Sempre me perguntam o que acho dos “maus umbandistas”: Quanto aos maus umbandistas, tudo nesse mundo é dual, os seres humanos, os religiosos, e nas religiões como a Umbanda, isso também não falta, tem seu lado bom e ruim. 

Acredito que os “maus umbandistas”, só o são pelo ego, prepotência, arrogância de se acharem o Deus, o próprio Orixá, e isso ocorre por falta de usar os aprendizados em si, ou seja, para sua transformação íntima, não adianta só pregar e não agir conforme se prega, devemos usar o que aprendemos para nos transformamos intimamente e aplicarmos no dia-a-dia os aprendizados adquiridos, não se veste o branco só no terreiro para exaltar o ego e naquelas duas horas se achar o Iluminado, se veste o branco de dentro para fora, no dia-a-dia, o dia que todos fizerem isso, não teremos mais “maus umbandistas”, mas cada um a seu tempo

Termino esse singelo texto com a frase daquele que foi e sempre será meu Pai, irmão, amigo e mestre: 
"A Umbanda é uma semente divina que serve para acolher aqueles que tem mediunidade". 
(Rubens Saraceni)

sábado, 18 de julho de 2015

E foi assim... que falei da Umbanda!



Por Marcelo Gomes, Mais Um na Banda!

No começo deste mês, lembrando que escrevo este em Julho de 2015, fui a um órgão publico da cidade de Embú das Artes para entregar algumas documentações e lá ao chegar fui tomar um cafezinho naquelas barracas que comercializam estes produtos, enfim, após ser servido comecei a e constranger com a forma que o Sr do café ficava me olhando, e entre um gole e outro do meu delicioso cafezinho veio a pergunta: 


- Você é evangélico? me surpreendi com a pergunta e então iniciamos um diálogo...

- Não senhor, não sou, mas por quê o senhor achou isso?

- Porque você tem assim um semblante tão sereno e equilibrado que achei que você fosse evangélico.

Sorri, pois pobre senhor, talvez por viver em seu mundo fechado neopentecostal acreditasse que só os que de lá são pudessem alcançar tal equilíbrio, então era o momento certo de lhe mostrar que um Umbandista também consegue, e assim a prosa continuou...

- Sério?!! Mas como disse não sou evangélico eu sou Umbandista.

Neste momento este senhor, que depois descobri se chamar Amadeu, deu aquela velha franzida na testa, o ar de reprovação imediatamente se fez presente em seu semblante, se tornando nítida sua ignorância, mas esperei ansiosamente a resposta.

- Poxa, você então é daquela religião de gente doida e esquisita.

- Doida e esquisita porquê? até agora o Sr estava achando que eu era evangélico, de repente mudou de opinião.

- Não, veja bem, o que quis dizer é que lá só tem gente atrapalhada que vira tudo gay e esse povo é tudo gente esquisita, você me perdoa, mas pelo que vejo você é igual a mim, assim normal não é?!

Neste momento baixei levemente minha cabeça e profundamente meus olhos, por um instante pensei em que responder a este senhor sem que eu descesse ao mesmo nível de ignorância, foi neste momento que me veio a imagem de amigos e amigas que tanto amo e que são pessoas maravilhosas, um a um fui lembrando, de seus sorrisos, abraços e palavras de amor e conforto, foi inevitável não se emocionar com o tanto de pessoas maravilhosas que conheço (por respeito e por não ter autorização prefiro não citar os nomes de cada pessoa que lembrei, mas sei que quando estiverem lendo este texto saberão quem são,afinal eles sabem o quanto os amo) então o sentimento maravilhoso bateu forte em meu peito o transformando em palavras que saíram pela minha boca....

- É senhor Amadeu, o senhor tem razão, somos normais e não passamos disso, pessoas normais que vivem o dia a dia muitas vezes com medo e sem coragem de enfrentar se quer um desafio na vida quanto mais assumir a opção sexual, se o Sr conhecesse meu amigos e amigas saberia do que estou falando, pois são pessoas que perto de mim são muito superiores, de tão grande caráter e coração, que me sinto pequeno perto deles, se o Sr pudesse ter o privilégio de conversar com um deles veria que tem muito a aprender sobre amor, coragem, companheirismo,dedicação, respeito e tantas outras qualidades que só os tornam cada vez mais especiais, por isso que te falo que somos simplesmente normais e só isso.

E pelo que entendi lá na sua igreja deve existir muitas pessoas que se julgam superiores a nós Umbandistas inferiores não é?! mas lhe garanto que Deus está para todos assim com o sol as estrelas e tudo mais que ele fez, só o buscamos de formas diferentes.

- Diferente e muito diferente mesmo, porque esse seu Deus aí não conheço, que aceita de tudo.

- Não, nosso Deus que é o mesmo que o do senhor não aceita de tudo não, pelo contrário tem bastante coisa que ele não gosta.

- Sério, eita que você vai me falar então que quero saber!

- O Deus que cultuamos ama cada filho indiscutivelmente sem se importar como eles o chamam, ou como fazem suas preces, o nosso Deus é um deus de amor de caridade de auxilio, que não gosta de ignorância, de preconceito, de inveja , de maldade, esse é o Deus que nós umbandistas cultuamos, o senhor teria que um dia ir a uma gira de umbanda para conhecer e com seu próprios olhos ver e daí dizer sua opinião mas com convicção sem ficar apenas repetindo o que ouve por aí.

- Tá certo, eu não vou não, porque tá bom na minha igreja, mas vou pensar antes de falar as coisas porque até pensei que você era evangélico né?! e quanto aos gays esses aí depois do que você me falou até fiquei sentido de dizer essa bobagens, você me desculpa viu não vou mais dizer essas besteiras, e não fique ofendido comigo não, pois depois dessa nossa conversa até que me quebrou no meio porque nunca tinha conhecido um espírita, e então a gente fica com aquela coisa né! sabe como é, e você ser tão bacana e explica as coisas com tanto carinho que nessa religião não deve ser tão ruim quanto se fala por aí.

A conversa continuou, mas fugindo do assunto, e por fim acabamos nos despedindo e o cafezinho até saiu de graça, mas me surpreendi com a conversa e com a forma que respondi aquele senhor, mostrando que o Umbanda é muito mais do que ele imaginava e também tive a certeza que aquelas palavras saíram da minha boca inspiradas pelas entidades que me socorreram quando pedi uma forma de não me comparar na ignorância, pois com palavras de carinho e amor e com aquele "semblante equilibrado e sereno" pude mostrar a face da nossa religião, a face do amor e da gratidão por ter amigos e amigas que tem coragem de expor suas opções sexuais, por ser amigo de pessoas tão superiores a mim, que me ensinam me ajudam que me elevam espiritualmente e que tratam nossa religião com respeito, amor e dedicação.

O nosso Deus é este, que nos ama como somos, que nos atende pelo desejo de nossos corações, que nos ama e a ponto de nos dar o livre arbítrio.

Que este texto fique como forma de agradecimento a todos que tem coragem de ser verdadeiros autênticos que nunca deixam de lado o amor ao próximo a religião e a mim, meus amigos e amigas que só me fazem ter mais e mais orgulho de tê-los como espelho de vida de coragem e de amor.

Gratidão.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Como Funciona uma Tribo?!


por Denanci Gonçalves, mais Um na Banda!
Transmitida pelo Caboclo Sete Flechas

Meu filho, esse caboclo vai dizer uma coisa pra você: O dia em que vocês entenderem o verdadeiro significado de TRIBO, os trabalhos no terreiro de vocês vão fluir de uma forma harmoniosa e tranqüila. 

Numa tribo não tem um índio melhor que o outro e nem uma função melhor que a outra. Todos trabalham para o mesmo objetivo. Os homens caçam, pescam, constroem as ocas, ensinam os curumins a caçar e pescar, protegem seus irmãos e muitas outras coisas.

As mulheres cuidam e educam as crianças, cozinham, fazem artesanatos e muitas outras coisas. Cada um tem sua função e respeita a função do outro, pois sabem que o êxito da sua tarefa depende do êxito da tarefa do outro.

Imagina se o caçador começar a achar que o pajé é mais privilegiado que ele e começar a querer fazer as curas e rezas. O Pajé achar ser cacique é melhor que ser pajé e querer comandar a tribo. As mulheres quererem ir à caça no lugar dos homens e os caçadores quererem fazer artesanatos no lugar das mulheres. Seria uma grande confusão e o bem estar de toda a tribo estaria comprometido.
 
O cacique sabe sua função e a realiza com seriedade e responsabilidade, pois sabe que tem que direcionar seus irmãos no dia a dia da tribo. O pajé faz a pajelança e sabe que os irmãos dependem do seu trabalho para ter saúde e dos seus conselhos quando estão com problemas. Os caçadores sabem que precisam prover o alimento da tribo e que todos dependem deles pra comer. As mulheres sabem que tem a responsabilidade de cozinhar, cuidar das crianças e fazer seus artesanatos e que a tribo depende de suas tarefas para funcionar.

Numa tribo, quando nasce um curumim, ele tem os pais, mas é um curumim da tribo e todos têm responsabilidade sobre sua educação e bem estar.

Entendam então, que no terreiro de vocês não tem ninguém melhor e nem pior que o outro. Os Médiuns dependem de seus guia para trabalhar, os guias e médiuns dependem dos cambones para trabalhar, o Sacerdote precisa dos Ogãs, dos médiuns e cambones para sustentar o trabalho, todos precisam do Sacerdote para conduzir o trabalho e os consulentes dependem de todos para serem tratados.

Se cada um fizer a sua parte conscientemente todos saem ganhando. Sejam uma verdadeira tribo e percebam seus irmãos como curumins: todos responsáveis por todos. 

Uma grande tribo é uma grande família.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Umbanda Próspera


Por Marcos Barbosa, mais Um na Banda!

Já ouviram aquela história, que virou uma máxima axiomática de que a Umbanda é uma religião de pobre e pessoas sem instruções.

Que a Umbanda nasceu em lugares onde viviam pessoas mais simples e de condições econômicas menos abastadas é certo, mas trazer isso até dias de hoje como um quase dogma é avassalador.

Não quero dizer com isso que a Umbanda não deve atender pessoas simples, de menor instrução, se elitizar, mas que devemos mudar este foco que engessa a Umbanda chegar a outras classes e se disseminar, que nos vê muitas vezes de maneira preconceituosa, e um dos motivos é o não acesso.

Por isso assim como na minha vida, aberta à prosperidade, na abertura de nosso terreiro fizemos um esforço hercúleo para conseguir um local acessível, novo, sem nada quebrado ou caindo aos pedaços e sem remendos. 

As portas estão abertas para todos, não importando cor, sexo, condições econômicas, porém estamos num bairro, que pessoas simples, pobres e mais abastadas podem chegar e quando entram no terreiro que sintam não só a energia equilibrada e maravilhosa dos guias e orixás, mas também não tenham suas atenções voltadas para as paredes quebradas, mal pintadas, cadeiras velhas e caído aos pedaços.

Este é um desafio grande e perigoso se for confundido com uma espécie de elitização desvairada sem sentido, mas ainda assim tentarmos derrubar essa máxima da "pobreza" da Umbanda é uma luta de visão próspera na abertura de um terreiro.

sábado, 27 de junho de 2015

Guerra Religiosa?




Por Paulo Cesar de Omolu, mais Um na Banda!

Em tempos de Intolerância Religiosa vejo ataques de todos os lados. De irmãos de outras religiões e dos irmãos de Umbanda.

Não temos que ter medo, não temos que nos esconder como no passado.

Uns já falam em guerra Religiosa e penso...será que todos estão preparados? É esse o caminho? 


Gandhi ajudou na libertação do seu povo sem nenhum tapa, sem nenhum tiro, sem nenhuma morte, usou uma única arma, que é o amor. São os seus atos que fazem com que sejamos respeitados. 

Chamo! Invoco o Guerreiro Divino de Pai Xangô de cada um nos.

Peço ao seu sagrado poder de justiça, que nos ampare nessa grande mudança.

Não somos covardes. Não somos violentos.

Não somos iguais a esses poucos loucos que usam de uma desculpa para atacar o que é diferente do seu pensamento, da sua religião.

O Caboclo das 7 Encruzilhadas disse: A Umbanda vai perpetuar através dos séculos.

Vamos sim lutar pelo respeito que merecemos, Umbandista e Candomblecistas e todos que sofrem um preconceito e ataque desses que se dizem evangélicos.

Deus não quer isso.

Oxalá não quer isso.

Os Orixás não querem isso.

Jesus não quer isso.

Todos os mestres de luz pregaram um único ensinamento...que é o Amor.

Lute com Amor pela Umbanda.

Honre os seus Orixás.

Honre Olorum...

Sem guerra religiosa, pois com ela todos irão perder.

Mas vamos enfrentar sem se esconder, sem fugir. Porque ele está comigo.

Meu Guerreiro da Luz...

Meu Guerreiro de Pai Xangô, o Justiceiro.

Meu Guerreiro de Ogum, o Bravo da Lei.

Somos pela Lei Divina que nos guarda.
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