sábado, 21 de março de 2015



OYÁ TEMPO ou LOGUNAM









É a orixá do Tempo e seu campo preferencial de atuação é o religioso, onde ela atua como ordenadora do caos religioso
O “Tempo” é a chave do mistério da Fé regido pela nossa amada mãe Oiá, porque é na eternidade do tempo e na infinitude de Deus que todas as evoluções acontecem. A orixá Oiá forma um pólo magnético vibratório e energético oposto ao do orixá Oxalá, e ambos regem a linha da Fé, que é a primeira das Sete Linhas de Umbanda, que são as sete irradiações divinas do nosso Criador. Logo, o campo de atuação de nossa amada mãe Oiá é o campo da fé, onde flui a religiosidade dos seres, todos em continua evolução.

Oiá é a regente cósmica da linha da Fé, e tempo é o vazio cósmico onde são retidos todos os espíritos que atentam contra os princípios divinos que sustentam a religiosidade na vida dos seres.

“Tempo”, eis as qualidades, atributos e atribuições negativas de Oiá, de que tanto falamos e alertamos aos supostos pais de Santo ou magos negros que recorrem ao “Tempo” para prejudicar seus semelhantes com seus ebós sujos e suas magias negras. Oiá é a orixá regente do pólo negativo da linha da Fé, que é a primeira das Sete Linhas de Umbanda e, com Oxalá assentado em seu pólo positivo, dão sustentação a todas as manifestações da fé e dão amparo a todos os “sacerdotes” virtuosos e guiados pelos princípios divinos estimuladores da evolução religiosa dos seres.

Quando Oiá “vira no tempo”, seja contra um seu filho direto quanto um seu filho indireto (que têm a coroa regida por outros orixás), então sua vidaentra em parafuso e só deixará de rodar quando esgotar tudo de desregrado e desvirtuado que nela existia. Isto é Oiá, amados filhos dos orixás! Mãe religiosa por sua excelência divina, mas mãe rigorosa por sua natureza cósmica, cujo principal atributo junto dos espíritos humanos é o de esgotar o lobo sanguinário que oculta-se por baixo da pele de cordeiro.

Enquanto Oxalá é irradiante, Oiá é absorvente, e enquanto os filhos de Oxalá são extrovertidos, os de Oiá são introspectivos e até um tanto tímidos, pois a natureza forte de sua mãe divina exige deles uma certa “beatitude” 9já que, das mães divinas, ela é a mais ciumenta por seus filhos amados e a mais rigorosa com os seus filhos relapsos. Isto é Oiá, amados filhos das nossas amadas mães divinas!

Se ela é assim, é porque ela é a orixá que, junto com Oxalá, rege a primeira linha de Umbanda, que é a linha da Religiosidade. Logo, os filhos de Umbanda, que têm em Oxalá o divino Pai da Fé, também devem cultuar a divina mãe Oiá. Com ele no pólo positivo e ela no pólo negativo, forma-se o par dos orixás excelsos que regem a linha da Fé e estimulam a religiosidade nos seres.

Oyá – O Trono Feminino da Fé
Logunan / Oyá-Tempo, Éos, Moiras, Andrômeda, Horas, Nornes, Rodjenice, Tara, Nut, Shait, Arianhod, Aya, Tamar, Mora, Menat, Tanith, Nicnevin, Comentário.


Oyá-Tempo — Divindade de Umbanda, é o Trono Feminino da Fé, absorve a fé em desequilíbrio, de forma ativa, reconduzindo o ser a caminho de seu equilíbrio. Cósmica, pune quem dá mau uso ou se aproveita desta qualidade divina com más intenções.
Fator cristalizador e temporal é o próprio espaço-tempo onde tudo se manifesta. Lembrando que nossa relação de espaço-tempo depende totalmente da movimentação dos astros no espaço, da onde vêm conceitos como dia e noite juntamente com nosso senso cronológico. Dizemos que é uma divindade atemporal, pois é em si o próprio tempo não estando sujeita a ele, mas regendo seu sincronismo.
Elemento cristalino. Religiosamente goza de posição de destaque, pois rege a própria religiosidade no ser.
Sua cor é o branco e o preto, que é a presença de todas as cores ou a ausência de todas (em seu aspecto de absorção e esgotamento da religiosidade desvirtuada e dos excessos cometidos em nome da fé). Simbolizada pela espiral do tempo, se manifesta em todos os locais, assim como Oxalá com o qual faz um par nesta linha da fé. Cor: Branco e preto ou fumê. Pedra: Quartzo fumê rutilado.


Éos — Divindade grega, conhecida entre os romanos como Aurora, filha de Hipérion com Teia. Irmã de Hélio (o Sol) e Selene (a Lua). Era sua tarefa abrir todas as manhãs os portões do céu para deixar sair a carruagem do Sol. Teve muitas uniões e muitos filhos, entre os quais podemos citar os Ventos e os Astros.
Moiras — Divindades gregas, conhecidas como Parcas entre os romanos. São três irmãs, responsáveis pelo tempo e por tecer os fios de nosso destino. Aparecem humanizadas como anciãs encantadas. Seus nomes são Lachesis, Cloto e Átropos. Filhas de Nyx, a Noite, são elas que tecem os fios de nossa vida e destino. Cloto, “a tecelã”, tecia o fio da vida; Lachesis, “a medidora”, media o comprimento certo de cada fio, e Átropos, “a inevitável”, o cortava com sua tesoura.
Andrômeda — Divindade grega das estrelas e planetas, vista como sendo a própria constelação que leva o seu nome.
Horas — Divindades gregas, originariamente a palavra Hora era utilizada para determinar as estações do ano que se dividia apenas em três, Primavera, Verão e Inverno. São filhas de Zeus e Têmis, Eunomia (a Boa Ordem), Dicéa (a Justiça) e Irene (a Paz). Quando surge o conceito de Outono e Solstício de Inverno, duas novas horas aparecem na mitologia, Carpo e Talate, guardiãs dos frutos e flores. Quando os gregos dividiram os dias em 12 partes iguais, os poetas identificaram 12 horas, chamadas “As 12 Irmãs”. Contando-se primavera, verão, outono e inverno as horas aparecem com idades diferentes, nesta ordem, da jovem e ingênua adolescente até a madura e sábia anciã.


Nornes — Divindades nórdicas do tempo e do destino se dividem em Urdhr, a avó anciã (passado), Verdanti, a mãe matrona (presente) e Skuld, a jovem (futuro).


Rodjenice — Divindades eslavas do destino, eram três mulheres que teciam os fios da vida assim como as parcas gregas e nornes nórdicas, eram oferecidas a elas as primeiras porções de comida das comemorações batismais, assim como a placenta do bebê, enterrada ao lado de uma árvore. Eram conhecidas por Rodjenice, Sudnice e Sudjenice ou Fatit, Ore e Urme.


Tara — Divindade hindu, regente do céu e das estrelas, senhora do tempo.


Nut — Divindade egípcia, Divindade do céu, seu corpo forma a abóboda celeste, aparece curvada como um arco sobre a Terra. Nut é o próprio céu, o espaço onde tudo acontece. Representada por uma vaca, também tem a função de recolher os mortos em seu império. 
Shait — Divindade egípcia do destino, acompanhava toda a encarnação de cada um anotando seus vícios e virtudes. Ela é quem dava a sentença final após a alma passar pela balança de Maat.


Arianrhod — Divindade celta, guardiã da “roda de prata” que circunda as estrelas, símbolo do tempo e do carma. Deusa da reencarnação tem como símbolo a própria espiral do tempo.Divindade dos ancestrais celtas vive em sua própria dimensão com suas sacerdotisas. Decide o destino dos mortos levando-os para sua morada ou para a Lua. Aparece no Mabinogion, uma coleção de relatos escritos entre o século XI e XIII d.C., como filha de Don e mãe dos gêmeos Lleu Llow Gyffes e Dylan.


Aya — Divindade babilônica, “Aurora”, esposa do deus-sol babilônico Shamash. 
Tamar — Antiga Divindade russa, do tempo, que habitava no céu, de onde regia as estações do ano. Aparece como a virgem que viaja pelo céu montada em uma serpente dourada. Tamar é quem aprisionava o Senhor dos ventos no Verão para soltar no Inverno, para que trouxesse a neve.


Mora — Divindade eslava do tempo e do destino. Aparece como divindade branca e alta para dar a vida, e como negra, olhos de serpente e patas de cavalo para ceifar a vida.


Menat — Antiga Divindade árabe que teve seu culto abolido por Maomé e o Islã. Essa divindade representa a força do destino, senhora do tempo e da morte, aparece sob a forma de anciã.


Tanith — Divindade cartaginense, regente do céu. Aparece com asas tendo o Zodíaco a lhe envolver a cabeça. Usa um vestido repleto de estrelas trazendo em suas mãos o Sol e a Lua.


Nicnevin — Divindade escocesa que rodopia o céu durante a noite para conduzir as almas em sua passagem.


Comentário: O Trono Feminino da Fé, Oyá-Tempo, encontrado em várias culturas, nos mostra uma divindade que, não estando sujeita ao tempo, torna-se atemporal. Passa a regular tudo o que se refere a estações do ano e clima, também mostrando-se presente como o espaço onde tudo acontece, a abóbada celeste, pois a relação espaço-tempo também depende dela. Na Umbanda, pode ser sincretizada com Santa Clara, sempre evocada para resolver as questões relacionadas ao clima e ao tempo, pela maioria das pessoas.

Textos com Base em leituras de Alexandre Cumino e Rubens Saraceni
AS CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OYÁ TEMPO

Os Filhos e as Filhas de Oyá são introspectivos e até um tanto tímidos, pois a natureza forte de sua Mãe Divina exige deles uma certa “beatitude”, já que, das Mães Divinas, Ela é a mais rigorosa com os seus filhos relapsos.

São Simpáticos, discretos, silenciosos, observadores, amigos e conselheiros, emotivos, mas guardam suas emoções para si ao invés de exterioriza-las, lutadores e muito sinceros.

Podem ser Retraídos, ciumentos, possessivos, evasivos, fugidios, descrentes, desconfiados, não perdoam uma ofensa, mesmo que for inconsciente. São glaciais nos seus envolvimentos emocionais.

Apreciam as coisas religiosas, o estudo, a música suave ou romântica, um pouco de isolamento, conversas construtivas, a companhia de pessoas discretas e de homens e mulheres maduros, reservados e amorosos.

QUANDO FIRMAR PARA OYÁ

- Para cortar magias negras

- Para afastar eguns

- Para “congelar” atuações de magos negros

FIRMEZA PARA OYÁ

Bambu, cristal Fumê e cabaça com água

AMANCI

Agua de chuva com folhas de eucalipto e pétalas de rosa amarela maceradas e curtidas por 7 dias.

ALGUNS CABOCLOS DE OYÁ-TEMPO:

Caboclo Gira Mundo, Caboclo do Tempo, Caboclo (ou Cabocla) Lua, Caboclo Sete Luas (de Oxalá e Oyá-Tempo).

Os Caboclos Velhos também recebem uma regência da Mãe Oyá-Tempo, dentro do Mistério Ancião (atravessaram o Tempo, adquiriram a experiência e o saber, aprimoraram a Fé e a Religiosidade, e atuam nesses campos).


ALGUNS EXUS E POMBA GIRAS DE OYÁ-TEMPO:

EXUS: Exu Vira Mundo, Exu Gira Mundo, Exu do Tempo, Exu Porteira da Religiosidade, Exu chave da Religiosidade, Exu 7 Chaves da Religiosidade (de Oxalá e Oyá), Exu 7 Chaves da Fé e da Religiosidade (de Oxalá e Oyá), Exu 7 Porteiras da Religiosidade (de Oxalá e Oyá).


Os Exus Velhos também recebem uma regência de Oyá-Tempo, da mesma forma que os Caboclos Velhos.

E esses nomes ou denominações de Exus também podem ser aplicados às Pomba Giras de Oyá-Tempo: Pomba Gira do Tempo, Pomba Gira Chave da Religiosidade etc..

A Senhora Pomba Gira Maria Padilha é regida pelo Mistério do Tempo e atua sobre os desequilíbrios no campo da Fé e da Religiosidade, cortando as ilusões.

TRONO
Trono Feminino da Fé
Linha
Fator
Condutor, Desmagnetizador, Descristalizador
Essência
Cristalina
Polariza com
Oxalá
Cor
Fumê, prateado, preto e branco, azul escuro
Aqui, a cor branca simboliza a presença de todas as cores; e a cor preta simboliza a ausência de todas as cores e representa o aspecto de absorção e esgotamento da religiosidade desvirtuada e dos excessos cometidos em nome da Fé. 
Fio de Contas
Contas e Missangas de suas cores
Ferramentas 
Ampulheta,  Bambu
Ervas
Eucalipto, Alecrim, Anis
Simbolos
Aspiral
Ponto na Natureza
Campo Aberto ao Tempo
Flores
flores do campo, rosas amarelas, palmas amarelas 
Essências
Eucalipto, Alecrim
Pedras
Quartzo Fumê e Cristais com incrustações 
Metais e Minérios
Estanho. Dia indicado para consagração: 3ª feira. Horário: 13 horas 
Saúde
cérebro superior e olho direito 
Planeta
Cosmos
Dia da Semana
todos os dias da semana. Horário: 21 horas 
Chacra
Coronário
Saudação
Olha  o Tempo Minha Mãe!
Bebida
licor de anis, água mineral e água de chuva. 
Animais
Coruja
Comidas
canjica enfeitada com coco ralado ou tirinhas de coco; acaçás de leite ou acaçás de milho branco. 
Números
10
Data Comemorativa
11 de Agosto
Sincretismo
Santa Clara
maisumnabanda@gmail.com

Oxalá


Na Umbanda, Oxalá é a Divindade que está assentada no pólo positivo ou irradiante do Trono da Fé, cuja Essência é Cristalina.

Pai Oxalá é o Trono Masculino do Cristal, Regente da primeira Linha de Umbanda (Linha da Fé), onde polariza com o Trono Cósmico Feminino Logunan (Oyá-Tempo).

As Irradiações Universais de Pai Oxalá são retas e contínuas, projetando-se de forma passiva a todos, o tempo todo.

Já as irradiações Cósmicas de Mãe Logunan são projetadas em espiral e alcançam os seres que se desvirtuaram no campo da religiosidade, para corrigi-los.

Oxalá é o calor das estrelas. E Logunan é o frio do espaço cósmico;

Oxalá é o calor do sol da Fé. E Logunan é o frio do vácuo religioso;

Oxalá é abrasador. E Logunan é enregelante;

Oxalá é a fé permanente. E Logunan é a alternância religiosa;

Oxalá é o raio reto, o caminho reto que conduz a Deus. E Logunan é a espiral, a onda circular que colhe todos os que se desviaram da retidão religiosa, para recolocá-los nesse caminho reto, o único que nos leva para Deus. 

“Gênese Divina de Umbanda Sagrada”, Rubens Saraceni, Madras Editora, 2005, páginas 215/217.



Peculiaridades do Orixá Oxalá:

Fatores- A Essência Cristalina de Pai Oxalá contém dois Fatores: o Magnetizador e o Congregador, que estão na base da Criação.

Seu Fator Puro é o Magnetizador, sem o qual nada existiria em nosso planeta, já que a Vida se sustenta por vibração magnética.

Seu Fator Misto é o Congregador, que tem por função reunir tudo e todos numa mesma direção e objetivo maior, dando forma e mantendo a estrutura de todas as coisas e seres.

Vejamos as ações realizadas na Criação por esses Fatores de Oxalá:

Fator Magnetizador- Cada Orixá tem um magnetismo específico. E Oxalá é o próprio Magnetismo, é o Orixá Magnetizador da Criação, ou seja, aquele que doa Magnetismo a todos os seres e coisas.

Esse Magnetismo foi importante para a Criação inclusive do nosso planeta, bem como de tudo que nele existe: seres, elementos, tudo. Por esse motivo, Oxalá é associado ao Sol (cuja luz é essencial para a vida na Terra) e ao próprio planeta Terra (pois não haveria vida aqui, sem o Fator Magnetizador de Oxalá).

No livro “Gênese Divina de Umbanda Sagrada”, RUBENS SARACENI explica a Gênese do Planeta Terra a partir do Magnetismo do Divino Trono das Sete Encruzilhadas, e isto nos ajuda a compreender as peculiaridades e a importância do Fator Magnetizador de Pai Oxalá para a existência da vida planetária.

Diz RUBENS SARACENI: “A ciência divina nos diz que desde o assentamento do divino Trono das Sete Encruzilhadas neste ponto do universo, pelo Divino Criador, já se passaram cerca de treze bilhões de anos, sendo que nos primeiros quatro bilhões o nosso planeta se parecia com uma estrela azul, mas que cintilava outras cores. Este período foi o tempo que o divino Trono das Sete Encruzilhadas passou “absorvendo” energias, através do seu poderoso magnetismo cósmico. Fato este que deu início aos choques “nucleares” geradores de explosões gigantescas e geradoras de novas ondas eletromagnéticas hiper-carregadas de energias, visíveis desde outras constelações.

Com o tempo, o núcleo magnético do planeta foi alcançando um ponto de equilíbrio, as ondas eletromagnéticas foram perdendo força e as energias foram se condensando em torno do eixo magnético planetário. Então, o planeta que era uma massa incandescente com pequena “reatividade” começou a perder calor para o geladíssimo espaço cósmico, que é o absorvente natural do excesso de calor dos corpos celestes. Tanto isso é verdade, que o brilho que vemos nas estrelas é energia que flui com as ondas eletromagnéticas, mas que vai sendo diluída no espaço cósmico. Mas as ondas eletromagnéticas geradas no interior delas, e que nos chegam, são absorvidas pelo magnetismo planetário e o recarregam, mantendo-o em equilíbrio vibratório. Já o excesso é lançado fora pelos pólos magnéticos (norte-sul), mantendo constante o campo em torno do planeta.

(...) Assim que o divino Trono das Sete Encruzilhadas alcançou seu limite máximo em sua capacidade de absorver energias, as reações foram diminuindo e só restou uma bola incandescente cercada de vapores (gases) cujos elementos (átomos) foram se combinando e dando origem a moléculas mais pesadas que se precipitavam sobre a superfície incandescida.

Pouco a pouco, com a perda de calor para o gelado espaço cósmico, a crosta foi se resfriando e se solidificando, até que se tornou densa o suficiente para reter em sua superfície as moléculas que iam se formando nas camadas gasosas mais elevadas. Mas o interior incandescido, que era energia pura, criava e ainda cria pressão, elevando para a superfície os átomos hiper-aquecidos.

O (...) processo de resfriamento do nosso planeta Terra durou mais de três bilhões de anos e as ligações atômicas comandadas pela imanência do divino Trono das Sete Encruzilhadas deram origem a muitos tipos de moléculas, que deram origem a muitas substâncias. Umas sólidas, outras líquidas e outras gasosas.

(...) Tal como acontece durante a fecundação do óvulo pelo sêmen e toda uma cadeia genética geradora é formada e ativada, o mesmo ocorreu quando um ser divino (o divino Trono das Sete Encruzilhadas) magnetizou-se e se polarizou dentro do ventre da Mãe Geradora (a natureza cósmica de Deus). Então se criou um magnetismo novo que, tal como um feto, começou a absorver os nutrientes da Mãe Geradora (o Cosmo). O feto alimenta-se de sua mãe e o mesmo fez o divino Trono das Sete Encruzilhadas e sua parte geradora, que é uma individualização da parte feminina do Divino Criador (a Natureza).

Enquanto o divino Trono das Sete Encruzilhadas crescia magneticamente, o planeta se energizava (materializava).

(...) O divino Trono das Sete Encruzilhadas é o magnetismo que sustenta a existência do planeta em suas muitas dimensões. Já a sua contraparte natural é a individualização e repetição “localizada” da natureza cósmica de Deus ou de Sua parte feminina, que é um ventre gerador de vida.

(...) Na gênese de um corpo humano, a par da herança genética dos pais, o sêmen do homem tem um magnetismo análogo ao do divino Trono das Sete Encruzilhadas que atrai as energias (nutrientes); enquanto o magnetismo do óvulo da mulher é análogo ao da mãe geradora (cosmos) que vai agregando e distribuindo os nutrientes, segundo um código preestabelecido.

Esta é a razão de todos os planetas serem “redondos”. Eles são formados dentro de um tipo de magnetismo ovular (de óvulo ou ovo). Nesse magnetismo planetário, os eixos são do divino Trono das Sete Encruzilhadas. Já o magnetismo que os reveste e retém em cada camada os elementos, estes são o da Divina Mãe Geradora, ou sua natureza divina.

Só quando estes dois magnetismos se fundem surge algo, tal como só quando o macho se une com a fêmea (copula) uma nova vida é gerada. Tudo se repete e tudo se multiplica, bastando sabermos que é assim que tudo acontece dentro de Deus, porque Ele é o eixo da geração e a própria geração em Si mesmo. Ele tanto é o macho quanto a fêmea. Mas quando Se individualiza, aí assume a Sua dualidade e biparte-Se em ativo e passivo, positivo e negativo, irradiante e absorvente, macho e fêmea.

E foi o que aconteceu aqui na Terra, porque da união magnética do divino Trono das Sete Encruzilhadas com a “mãe natureza” surgiu um planeta magnífico e único no nosso sistema solar”. (Obra citada, Madras Editora, 2005, páginas 22/35.)

Fator Congregador- Oxalá Irradia e estimula a Fé e desperta sentimentos de religiosidade nos seres, além de sustentar a todos que têm fé. É também a Irradiação da paz, da harmonia, da tranquilidade, da serenidade, da esperança, da humildade, da pureza, do perdão, da piedade, da misericórdia, da compaixão, da fraternidade, da irmandade, da compreensão, da tolerância, da conciliação, da resignação etc.

A Regência de Oxalá em nossas vidas se manifesta na necessidade de nos congregarmos, isto é, de nos unirmos a pessoas que tenham as mesmas idéias e ideais.

A Vibração de Oxalá habita em cada um de nós, porém velada pela nossa imperfeição, pelo nosso grau de evolução. É “o nosso Deus interior”, a voz da consciência que tenta nos conduzir por caminhos luminosos, pois traz consigo a memória de outros tempos, o conhecimento empírico, o conhecimento adquirido por experiências anteriores.

As atribuições de Oxalá incluem dar a todos os seres o amparo religioso dos Mistérios da Fé. Mas o ser nem sempre absorve essas irradiações quando está com a mente voltada para o materialismo desenfreado que costuma envolver os espíritos encarnados.

Pai Oxalá é, muitas vezes, chamado de “o maior dos Orixás”. Por quê? Vejamos.

Dentro do conceito das Sete Linhas de Umbanda, que correspondem às Sete Vibrações de Deus, a primeira delas é a Linha ou Vibração da Fé, onde está Oxalá.

Pai Oxalá rege o Sentido da Fé, que é fundamental para a existência de uma religião. Sem Fé não há religião.

Mas o Sentido da Fé não gera apenas aquele sentimento de caráter religioso ou de crença religiosa. Também abrange o ato de crer, de acreditar, sem o qual mais nada existe. Quem não tem o Sentido da Fé bem desenvolvido acaba por não crer em si mesmo, não encontra valor ou significado para a própria vida e não consegue crer em algo além da existência material. Esta pessoa terá pouca autoestima e autoconfiança e pode se deixar dominar pela ansiedade, pelo medo etc. Por não crer, também não tem o Sentido do Amor bem desenvolvido, já que só podemos desenvolver amor a partir do momento em que acreditamos em alguém ou em algo. Sem Fé e sem Amor, não há Conhecimento verdadeiro. Sem a Fé, o Amor e o Conhecimento não há Lei e nem se aplica Justiça. Faltando isso, não há Evolução e nem a Geração de mais nada...

Em resumo: Oxalá está no Sentido da Fé, que é o principal Sentido da Vida, pois sem a Fé nada mais existe ou tem fundamento. Nessa escala de valores, a Fé está no topo e, portanto, Oxalá está no topo. Este é o significado.

Claro que isso não “diminui” o valor dos demais Orixás; até porque nada, absolutamente nada e ninguém pode diminuir ou alterar uma Divindade de Deus! Cada Orixá é um Mistério de Deus; todos os Mistérios são essenciais; e todos atuam de forma interligada para a Perfeição do Todo, na Criação Divina.

O que se procura compreender, aqui, é a visão da Umbanda sobre o quê está contido dentro do campo de atuação de Pai Oxalá enquanto Mental Divino Regente do Mistério da Fé. Considerando-se a Fé como a base da religião e a base do existir, e sob um olhar cosmológico, Oxalá é a base da Criação, é “o Senhor das Formas”, o Orixá da Plenitude, o Orixá que representa o Espaço Infinito onde tudo existe e acontece e onde tudo será acomodado no Universo.

Na Umbanda, Oxalá é o Espaço Infinito onde tudo existe e acontece. Por isso, Ele recebe oferendas nos espaços abertos (mirantes, campos, campinas, jardins e espaços floridos etc.).

Pai Oxalá (o Espaço Infinito) e Mãe Logunan (o Tempo Infinito) formam o eixo Espaço-Tempo que sustenta a Criação. 

Quando associado à Criação do mundo e da espécie humana, Oxalá representa o Princípio Masculino da Criação, “o Pai” ou “o aspecto Pai” do Divino Criador; enquanto Yemanjá representa o Princípio Feminino da Criação, “a Mãe” ou “o aspecto Mãe” do Criador.

Paralelamente, vemos que na África todas as lendas que relatam a Criação do mundo passam necessariamente por Oxalá, que foi o primeiro Orixá concebido por Olodumare (Deus), encarregado de criar não só o Universo, como todos os seres e todas as coisas que existiriam no mundo. É o Princípio Gerador em potencial, o responsável pela existência de todos os seres do céu e da terra. É o que permite a concepção, no sentido masculino do termo.

Origens e significado do nome Oxalá. A cor branca- Há muitos nomes para esta Divindade: Orixá n’ti alá; Orixá n’lá; Orixalá, Òrìsànlá ou Orixanlá; Obatalá; Oxalá.

Seu nome, como o dos demais Orixás, vem da cultura Nagô-Yorubá, porque é nesta cultura que as Divindades são chamadas de Orixás. Alguns nomes de Orixás têm uma tradução, ao passo que outros não a têm, por expressarem conceitos daquela cultura que não têm uma correspondência direta com a nossa.

No caso de Oxalá, a tradução possível do nome vem de contrações da expressão “Orixá n’ti alá” (pronuncia-se: orixá intí alá), que significa: “o Orixá que veste o branco”. Embora no Islã a palavra “Alá” seja o Nome de Deus, aqui nesta expressão Yorubá ela quer dizer branco, a cor branca.

A expressão “Orixá n’ti alá” sofreu uma contração e ficou: “Orixá n’lá” (pronúncia: orixá inlá), com igual significado.

Nova contração gerou o termo “Orixalá”, utilizado como sinônimo de “o maior dos Orixás” ou “o Orixá dos Orixás”.

Finalmente, outra contração deu origem ao nome “Oxalá”, que também significa “o Orixá que veste o branco” ou “o Orixá do branco”.

Outro nome para Oxalá é “Obatalá”, que se traduz como “o rei que se veste de branco” (Obá= rei), também derivado da expressão “Orixá n’ti alá”.

Sua cor é o branco, que é a soma de todas as cores. E é em sua homenagem que vestimos o branco nas giras de Umbanda. Branco é a cor da paz, um dos muitos atributos de Oxalá; e por isso também se diz que a Bandeira da Umbanda, que é branca, é “a Bandeira de Oxalá”.

Na cultura Nagô-Yorubá e no Candomblé do Brasil há os chamados “Orixás Funfuns”, conjunto de Orixás que vibram na cor branca ou dentro do axé branco.

Entre eles temos Oxalá e Orumilá, que são ligados por um aspecto: Orumilá é o Orixá do Oráculo ou da Revelação, que desvenda o passado, o presente e o futuro; e Oxalá, na Umbanda, ao polarizar com Logunan, na Linha do Tempo, também atua na relação entre presente/passado/futuro.

Elementos e Pedras- Vimos que o primeiro Elemento associado a Oxalá é o Cristalino; e que este Orixá também tem atuação Magnetizadora nos demais Elementos.

Logo, o Magnetismo de Oxalá está presente em todos os Elementos (cristais, minerais, vegetais, fogo, ar, terra e água).

Portanto, propriamente não temos uma única pedra associada a Oxalá (pois Ele magnetiza todos os minerais, todas as pedras). Mas o Cristal é o mais adequado para representá-Lo, porque todo cristal é translúcido, é transparente, é o mais próximo da cor branca de Oxalá; e isto simboliza também a pureza que existe em todos os elementos criados por Deus, já que todos recebem o Magnetismo de Oxalá.

Segundo ANGÉLICA LISANTY, as pedras brancas em geral pertencem a Oxalá, pois na cor branca encontra-se a fusão dos Sete Raios: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo, violeta. E os principais minerais das pedras brancas são: chumbo, prata, estanho, magnésio, potássio e cálcio.

ANGÉLICA ensina que o Cristal, em especial, é o grande irradiador dos Sete Raios e, através da Fé, alimenta e realimenta a todos os outros Orixás. Portanto, o Cristal Branco Translúcido é a maior fonte de irradiação das Qualidades Divinas do Trono Oxalá, sendo o maior irradiador energético em potencial, pois multiplica em muitas vezes a ação de outras pedras. Representa a Luz Divina em Si, capaz de tocar a todos os corações, iluminando-os através da Fé. A energia do Cristal é dual (atua como Geradora e como Receptora), estando ligada ao elemento Água, que é regido pela Lua. O Cristal Branco, a Pedra atribuída a Oxalá, é considerada como “a Pedra de Deus”, é a mais famosa Pedra de todos os tempos, em todas as civilizações. Pode ser utilizado em magias que atraiam: a Paz, a Proteção, a Iluminação, a Sensitividade, a Cura, bem como o desenvolvimento dos sentidos e pensamentos superiores.

ANGÉLICA LISANTY indica outras pedras relacionadas a Oxalá: Selenita; Galena; Calcita Ótica; as pedras brancas translúcidas; as pedras brancas leitosas, tais como: a Albita ou Pedra da Neve, a Dolomita Branca e o Quartzo Branco Leitoso. (Fonte: “Os Cristais e os Orixás”, Angélica Lisanty, Madras Editora, 2008, páginas 87/88, 112/114.)

Os Planetas, o número e o horário associados a Oxalá- Na Umbanda, Oxalá é associado ao Sol, ao planeta Terra e ao número 01.

Por força das peculiaridades do Seu magnetismo e da Sua atuação no despertar da Fé nos seres humanos, é também associado à luz do meio-dia.

Neste horário (meio-dia) o Sol está no seu esplendor e, segundo antigas Tradições, as Energias Angelicais mais puras e intensas estão atuando sobre o nosso planeta, purificando a tudo e a todos, pela dissolução das energias densas.

Portanto, o horário do meio-dia é excelente para nos dirigirmos ao Pai Oxalá, agradecendo e pedindo Suas bênçãos: fazendo um banho ou defumação com ervas do Orixá, firmando uma vela branca, oferecendo flores brancas etc.; ou simplesmente nos concentrando em oração e cobrindo a cabeça com um pano branco (de preferência, que seja de fibra natural, como algodão, linho etc.) especialmente reservado para este ritual.


Sincretismo - Na Umbanda, o Orixá Oxalá é sincretizado com Jesus Cristo, cuja imagem é colocada em lugar de honra nos Centros, Terreiros ou Tendas de Umbanda, em local elevado e geralmente destacada com iluminação.

Mas Oxalá não é Jesus, assim como Jesus não é Oxalá.

Jesus Cristo tem algumas das Qualidades de Oxalá; e isto faz Dele uma Manifestação do Orixá Oxalá ou um Intermediário de Pai Oxalá Maior.

Jesus pregava o amor, o perdão, a fé, a paz. Ele “deu a própria vida” em testemunho dos seus ensinamentos, e isto nos remete ao simbolismo do “bode expiatório”: antes da vinda de Jesus, existia a prática religiosa de se sacrificar um animal “para a expiação dos nossos pecados”. Segundo o conceito Católico, Jesus torna-se “o cordeiro de Deus, o último cordeiro”, ou seja, depois Dele não se faria mais sacrifício animal “porque em Jesus Cristo todos os pecados da humanidade estariam perdoados”.

Homenageia-se Oxalá na representação daquele que na Tradição Católica foi o “filho dileto de Deus entre os homens”. Permanece, porém, no íntimo desse sincretismo, a herança da tradição africana: “Jesus foi um enviado, foi carne, nasceu, viveu e morreu entre os homens”; enquanto Oxalá coexistiu com a formação do mundo, ou seja, Oxalá era ou existia muito antes de Jesus.

Segundo textos antigos, o nome “Cristo” significa cristal ou cristalino; e esta é a referência de todos os Mestres da Luz que encarnaram para guiar a humanidade.

As ondas magnetizadoras de Pai Oxalá despertam a ética e a iluminação filosófica nos seres, ou seja, a base das religiões. Algumas dessas ondas chegam até aos nossos olhos cruzadas; fato que tornou o símbolo da cruz como referência ao Mestre Jesus Cristo.

Para os Católicos, Jesus Cristo é Deus encarnado, é a segunda Pessoa da Trindade (Pai/Filho/Espírito Santo); para os Hindus, é um Avatar, um Mestre Ascensionado; para os Espíritas, é um Mestre da humanidade.

Já na Umbanda Jesus é reverenciado como um Manifestador do Trono da Fé, um Filho Iluminado de Oxalá que encarnou para direcionar as pessoas nos caminhos da Fé, por meio do amor que leva à fraternidade, ao perdão, ao arrependimento, à paz etc.

Sob a Regência de Oxalá, Jesus nos indicou a melhor forma de evolução, que é praticar a caridade: doar com a direita, trilhando o Caminho da Luz, como fez o Divino Mestre, para, com a esquerda, recebermos na eternidade.

E a maior caridade que se pode praticar dentro da Religião é dar às pessoas um sentido para as suas vidas, pelo despertar da Fé.


História

Oxalá na África e no Candomblé do Brasil

Orixalá (“O Orixá dos Orixás”) acabou se popularizando como Oxalá e é considerado o Orixá mais importante do panteão africano. Não possui mais poderes que os outros nem é hierarquicamente superior, mas é respeitado por todos, pois representa o patriarca, o chefe da família.

Oxalá é o detentor do poder procriador masculino.

É alheio a todo o tipo de violência, de disputas e brigas. Gosta de ordem, da limpeza e da pureza.

Todas as suas representações incluem o branco, que é a sua cor.

Pertencem a Oxalá os metais e outras substâncias brancas.

Seu dia é a sexta-feira. E os seus filhos devem vestir-se de branco neste dia.

Oxalá representa o elemento fundamental dos primórdios: massa de ar e massa de água, a pró-forma e a formação de todo tipo de criaturas no Aiyê (a Terra) e no Orun (o Céu).

Ao incorporar-se, assume duas formas: Oxaguiã, jovem guerreiro, e Oxalufã, o velho apoiado num bastão de prata (apoxorô ou ôpá xôrô).

Na África, todos os Orixás relacionados com a Criação são designados pelo nome genérico de Orixá Funfun. O mais importante deles chama-se Orixalá (ou seja, o Grande Orixá), que

nas terras de Igbó e Ifé é cultuado como Obatalá, “o Rei do Pano Branco”.

O nome Orixalá foi contraído e deu origem à palavra Oxalá, e foi com este nome que a grande Divindade-Pai passou a ser conhecida.

A designação de “Funfun” deve-se ao fato de a cor branca se configurar como a cor da Criação, guardando a essência de todas as demais. O branco representa todas as possibilidades, a base de qualquer criação.

Eram 154, aproximadamente, os Orixás Funfuns. Mas no Brasil e em Portugal esse número se reduziu significativamente, pois todos os Orixás Funfuns foram reunidos em Oxalá e divididos em várias qualidades das suas duas configurações principais: Oxalufã e Oxaguiã. Oxalufã, o Oxalá mais velho e paciente, é o pai de Oxaguiã que, por sua vez, é o Oxalá jovem e guerreiro.

No Xirê (festa em homenagem aos Orixás), Oxalá é homenageado por último porque é o grande símbolo da síntese de todas as origens. Ele representa a totalidade. Ele é o único Orixá que, como Exu, reside em todos os seres humanos. Todos são seus filhos, todos são irmãos.

No Candomblé, apresenta-se também de duas maneiras: o Moço, Oxaguiam; e o Velho, Oxalufam. O símbolo do primeiro é uma idá (espada); e o do segundo é uma espécie de

cajado em metal, chamado ôpá xôrô (opaxorô, na forma aportuguesada).

Em suas diversas mutações, temos: ►na Nação Ketu: Oxanguian, Oxalufá, Obatalá e Oduduwá; ►na Nação Angola: Lemba, Lembarangaga e Guaratinhanha. Em todas elas é o Senhor da Vida, também chamado "Senhor da boa argila", devido a uma antiga lenda na qual Oxalá usava este material para criar os seres humanos.

Na África, é Òrìsànlá ou Obàtálá (Obá N´ti alá), "O Grande Orixá”, "O Rei do Pano Branco”.

Na mitologia Yorubá, é o criador do mundo, dos homens, animais e plantas. Foi o primeiro Orixá criado por Olodumare e é considerado o maior, o mais velho dos Orixás, o Rei de vestes brancas, raiz de todos os outros Orixás. É o pai de Oxalufam (que, por sua vez, é o pai de Oxaguiam).

Na África e no Candomblé do Brasil, Oxalá representa a massa de ar, as águas frias e imóveis do começo do mundo; controla a formação de novos seres; é o Senhor dos vivos e dos mortos, preside o nascimento, a iniciação e a morte. É o responsável pelos defeitos físicos, e é corcunda porque recusou-se a fazer uma oferenda de sal numa cabaça e Exu castigou-o, pregando-lhe a cabaça nas costas, razão pela qual não come sal: comer sal para ele constitui um ato de alto canibalismo. Ele deu a palavra ao homem e durante suas festas não se fala, durante três semanas tudo é silêncio, pois a palavra é dele.

Sua maior festa é uma cerimônia chamada "Águas de Oxalá", que diz respeito à lenda dos sete anos do seu encarceramento no reino de Oyó, culminando com a cerimônia do "Pilão de Oxaguian", para festejar a volta do pai. Esse respeito advém da sua condição, delegada por Olorun, da criação e governo da humanidade.

Sua saudação mais frequente é: Êpa Babá!

Seus domínios são o poder procriador masculino, a Criação, a vida e a morte (como fim pacífico de todos os seres).

Seu cajado, o opaxorô, tradicionalmente era feito dos galhos de atori (planta cujo nome científico é “Glyphaea lateriflora abraham”). Este cajado simboliza a criação do mundo e do ser humano, bem como a sabedoria dos anciãos; servindo de apoio para locomoção do Orixá que é o mais velho de todos e considerado “o pai da criação”.

Os Orixás




O vocábulo antigo Arashá significa " O Senhor da Luz ", equivale aos Orishis dos Brâmanes e aos Orixás dos Africanos, que em Yorubá significa: O senhor da Cabeça, ou seja, do principio espiritual ou Luz.

Para os umbandistas, existem várias formas e conceituação dos Orixás. Trataremos somente daquela que conceitua o Orixá como energia vinda de um elemento primordial da natureza.

Assim, cada Orixá representa uma força da natureza, que reverenciamos através das forças elementares oriundas da água, da terra, do ar, do fogo. É essa força que, em equilíbrio, nos proporciona auxílio para os problemas que enfrentamos no dia-a-dia.

Não existe uma hierarquia entre os Orixás; cada Orixá exerce a sua função, um em conjunto com o outro, nunca separadamente.

A energia divina representativa em cada Orixá se combina, se conjuga e se harmoniza, desdobrando-se em outras energias que dão origem a outras manifestações da Força Divina na Natureza.

Um exemplo disso se percebe quando analisamos a manifestação dos Caboclos nos terreiros de Umbanda. Esses trazem os elementos que se conjugam na natureza, havendo, portanto, os caboclos ligados sempre ao elemento Oxossi, manifestação da energia da mata, mas com a energia de Xangô, por exemplo, pelo elemento mineral que se une ao elemento vegetal, dando origem a essa vibração conjunta.

O que ocorre, nesse caso, é que tanto a energia de Oxossi quanto a de Xangô não perdem suas essências, mas se combinam, adquirindo outras características vibratórias. O mesmo ocorre no caso da conjugação da energia de Oxossi com Ogum, gerando, por exemplo, a vibração do Caboclo Arranca-toco; na combinação com Omulu, gerando a vibração dos caboclos flecheiros e bugres ou no caso das iabás, dando origem aos caboclos e caboclas do mar (Iemanjá), dos rios, das cachoeiras (Oxum), etc.

Citamos somente o exemplo da energia proveniente do Orixá Oxossi, usando o exemplo dos caboclos, que serão sempre representantes da vibração da mata, mas mostrando como essa energia se agrega com as outras provenientes dos outros Orixás para gerarem vibrações decorrentes dos vários elementos. Mas, o mesmo ocorre com todas as variações dos Orixás que conhecemos como representação da energia proveniente da natureza.

Orixás não encarnaram, não tiveram uma vida corpórea na Terra. São energias emanadas da própria natureza, denominados Orixás Maiores. Estes são o topo de uma Hierarquia que se desdobra em outros sete "orixás-menores" (Espíritos Superiores, não reencarnacionais) que são chefes de Legiões; Legiões que se dividem em Falanges e sub-falanges, que também possuem chefes e entidades chefes de Grupamentos.

Orixá, dentro do culto Umbandista (de uma maneira geral) não incorpora. O que se vê dentro dos vários terreiros, centros, tendas etc, são os Falangeiros dos Orixás, ou seja, Espíritos de grande força espiritual, de grande Luz, que trabalham sob as Ordens de um determinado Orixá, são conhecidos como um ser natural, que vive em uma realidade paralela à nossa.

A cada Orixá está associada uma personalidade e um comportamento. Cada pessoa recebe a influência do Orixá que será seu protetor por toda a vida.
Assim, mesmo que a entidade se identifique como Oxóssi ou Odé, não é o Orixá em si, mas está se identificando em sua linha vibratória. Isso explica porque pode, em um mesmo trabalho ou simultaneamente em vários locais, haver entidades com o mesmo nome.

As 7 Linhas de Umbanda


UMBANDA é dividida em linhas. Cada uma delas com um chefe, um Orixá que a comanda. E cada linha é dividida em falanges:
As 7 Linhas das Umbanda:
As linhas representão os grupamentos dos Orixás e seus falangeiros que atuam dentro da Umbanda.
Não existe uma ortodoxia dentro da Umbanda. Assim, existem diversas representações das 7 linhas, e, em algumas correntes, já citam a possibilidade de existirem não 7, mas 9 linhas, ou mesmo 14 linhas.
Existe um concenso de 5 linhas fixas (Oxalá, Xangô, Ogum, Yemanjá e Oxossi) e duas linhas variáveis que serão ocupadas de acordo com os fundamentos doutrinários oriundos de cada forma doutrinária de Umbanda.
Dentro do trabalho da "Umbanda de pretos-velhos", as linhas assim estão dispostas:

Linha
Orixás componentes à linha
Falangeiros ou falange subordinada
Linha de Oxalá
Todos os Orixás
Guias Flangeiros de Oxalá, guias mais comuns: Pretos-Velhos, Caboclos e Crianças.
Linha de Iemanjá ou Yemanjá




Oxum, Nanã, Obá e Oxumaré
Marinheiros, Sereias, Ondinas, Caboclos de Iemanjá, Falangeiros do Orixá Iemanjá, Guias Falangeiros de Iemanjá.
Linha de Xangô
Iansã


Falangeiros do Orixá Xangô, Guias Falangeiros do Orixá Xang,Caboclos de Xangô, falange do Oriente.

Guias mais comuns: Caboclos e Baianos.
Linha de Ogum
Falangeiros do Orixá Ogum, Guias Falangeiros do Orixá Ogum, Falangeiros em geral.
Linha de Oxossi
Falangeiros do Orixá Oxossi, Guias Falangeiros do Orixá Oxossi, Falangeiros em geral, guias mais comuns: Caboclos, Baoiadeiros e Baianos.


Linha de Almas ou Pretos-Velhos

(Linha Africana ou dos Ancestrais - Babalorixás, Yalorixás, Sacerdotes diversos)
Interagem com a Linha do Orixá Omulu.
Pretos-velhos.
Linha de Omulu
Obaluayê
Pretos-velhos e Caboclos, curadores e mandingueiros,
Exus e Pombogiras.

Outras linhas conhecidas em outras ramificações da Umbanda:
Linha
Linha de Oxalá
Linha de Iemanjá ou Yemanjá
Linha de Xangô
Linha de Ogum
Linha de Oxossi
Linha de Yorimá (ou Omulu)
Linha de Yori (Crianças)

Ramificação mais comum de sua utilização: Umbanda esotérica, algumas Umbandas brancas, algumas Umbandas populares.
Linha
Linha de Oxalá
Linha de Iemanjá ou Yemanjá
Linha de Xangô
Linha de Ogum
Linha de Oxossi
Linha de São Cipriano (Pretos-velhos)
Linha de Oriente

Ramificação mais comum de sua utilização: algumas Umbandas brancas, algumas Umbandas populares.

As falanges dentro das Linhas
As falanges são formadas por grupos de características iguais chamados guias, assim temos os seguintes grupamentos dentro da Umbanda:
  • Pretos-velhos
  • Caboclos
  • Crianças
  • Boiadeiros
  • Marinheiros
  • Exus
Outras falanges trabalhadas em outras ramificações da Umbanda:
  • Baianos
  • Ciganos
  • Orientais
  • Mineiros

Indo mais a Fundo: (um pouco mais de atenção!)

As Sete Linhas

Para entender um pouco mais a Umbanda devemos conhecer as linhas ou vibrações. Uma linha ou vibração, eqüivale a um grande exército de espíritos que rendem obediência a um "Chefe". Este "Chefe" representa para nós um Orixá e cabe a ele uma grande missão no espaço.
Vejamos quais são as Sete Linhas da Umbanda:
  1. Linha De Oxalá ( Ou Orixalá )
  2. Linha De Yemanjá
  3. Linha De Xangô
  4. Linha De Ogum
  5. Linha De Oxossi
  6. Linha De Yori (Ibeiji)
  7. Linha De Yorimá (Almas)
Estes nomes são sagrados e ancestrais e nomeiam os sete Orixás Maiores da Umbanda.
Estes Orixás Planetários são os sete espíritos mais elevados do planeta, e nunca encarnaram aqui.
Os Orixás Maiores não incorporam, eles têm funções de governo planetário. Cada um deles estende suas vibrações e ordenações a mais sete entidades denominadas Orixás Menores e estas, cada uma para mais sete inferiores e assim por diante.
Veja como se organiza uma linha:

Categoria
Quantidade
Grau
Denominação
Orixá Maior
1
-
Orixá Menor
7
(1º Grau)
Chefe de Legião
Orixá Menor
49
(2º Grau)
Chefe de Falange
Orixá Menor
343
(3º Grau)
Chefe de Sub-Falange
Guia
2401
(4º Grau)
Chefe de Grupamento
Protetor
16807
(5º Grau)
Chefe Integrante de Grupamento
Protetor
117649
(6º Grau)
Sub Chefe de Grupamento
Protetor
823543
(7º Grau)
Integrante de Grupamento
Tabela 1

A cada grau que a hierarquia vai descendo a quantidade de entidades vai se multiplicando por sete, pois cada entidade, dentro de sua hierarquia delega ordenações para mais sete.

Linhas, Legiões e Falanges

Cada linha compõe-se de sete legiões, tendo cada legião o seu chefe. Cada legião divide-se em sete grandes falanges, que por sua vez também tem um chefe e cada falange divide-se em sete sub-falanges e assim por diante, obedecendo a um critério lógico.
Agora apresentaremos as linhas e seus Orixás com os seus respectivos chefes de legiões.
OXALÁ (ou ORIXALÁ): (ORI è Luz, Reflexo; XA è Senhor, Fogo; LÁ è Deus, Divino)
Portanto, A LUZ DO SENHOR DEUS
Os Setes Chefes de Legião da Vibração Espiritual de Oxalá:

Caboclo Urubatão Da Guia

representante da vibração espiritual

Caboclo Guaracy

intermediário para Ogum
Caboclo Guaraniintermediário para Oxossi

Caboclo Aymoré

intermediário para Xangô
Caboclo Tupyintermediário para Yorimá
Caboclo Ubiratanintermediário para Yori
Caboclo Ubirajaraintermediário para Yemanjá
OXOSSI: (OX è Ação ou Movimento; O è Círculo; SSI è Viventes da Terra)
Portanto, A POTÊNCIA QUE DOUTRINA, O CATEQUIZADOR DE ALMAS
Os Setes Chefes de Legião da Vibração Espiritual de Oxossi:

Caboclo Arranca-Toco

Representante Da Vibração Espiritual
Caboclo AraribóiaIntermediário Para Ogum
Caboclo ArrudaIntermediário Para Oxalá

Caboclo Cobra-Coral

Intermediário Para Xangô
Caboclo TupinambáIntermediário Para Yorimá
Cabocla JuremaIntermediário Para Yori
Caboclo Pena-BrancaIntermediário Para Yemanjá
OGUM: (OG è Glória, Salvação; AUM è Fogo, Guerreiro)
Portanto, O GUERREIRO CÓSMICO PACIFICADOR, O FOGO DA GLÓRIA
Os Setes Chefes de Legião da Vibração Espiritual de:

Caboclo Ogum Dilê

representante da Vibração Espiritual
Caboclo Ogum Matinataintermediário para Oxalá
Caboclo Ogum Rompe-Matointermediário para Oxossi
Caboclo Ogum Beira-Marintermediário para Xangô
Caboclo Ogum De Maléintermediário para Yorimá
Caboclo Ogum Megêintermediário para Yori
Caboclo Ogum Yaraintermediário para Yemanjá
XANGÔ: (XA è Senhor, Dirigente; ANGÔ è Raio, Alma)
Portanto, O SENHOR DIRIGENTE DAS ALMAS
Os Setes Chefes de Legião da Vibração Espiritual de Xangô:

Caboclo Xangô Kaô

representante da vibração espiritual
Caboclo Xangô Pedra-Brancaintermediário para Oxalá
Caboclo Xangô Agodôintermediário para Oxossi
Caboclo Xangô Sete Montanhasintermediário para Ogum
Caboclo Xangô Sete Cachoeirasintermediário para Yori
Caboclo Xangô Pedra-Pretaintermediário para Yorimá
Caboclo Xangô Sete Pedreirasintermediário para Yemanjá
YORIMÁ(YO è Potência, Ordem, Princípio; RI è Reinar, Iluminado; MÁ è Lei, Regra)
Portanto, PRINCÍPIO OU POTÊNCIA REAL DA LEI
Os Setes Chefes de Legião da Vibração Espiritual de Yorimá:

Pai Guiné

representante da vibração espiritual
Pai Toméintermediário para Oxalá
Pai Joaquimintermediário para Oxossi
Pai Beneditointermediário para Ogum
Vovó Maria Congaintermediário para Xangô
Pai Congo D'aruandaintermediário para Yori
Pai Arrudaintermediário para Yemanjá
YORI: (YO => Potência, Ordem, Princípio; RI => Reinar, Iluminado; ORI => Luz, Esplendor)
Portanto, POTÊNCIA DOS PUROS OU DA PUREZA
Os Setes Chefes de Legião da Vibração Espiritual de Yori:

Tupanzinho

representante da vibração espiritual
Oriintermediário para Oxalá
Damiãointermediário para Oxossi
Yariintermediário para Ogum
Doumintermediário para Xangô
Cosmeintermediário para Yorimá
Yaririintermediário para Yemanjá
YEMANJÁ: (YE => Mãe, Princípio Gerante; MAN => O Mar, A Água, Lei das Almas;
YÁ => Matriz, Maternidade)
Portanto, A SENHORA DA VIDA
Os Setes Chefes de Legião da Vibração Espiritual de Yemanjá:

Cabocla Yara

representante da vibração espiritual
Cabocla Estrela Do Marintermediário para Oxalá
Cabocla Indaiáintermediário para Oxossi
Cabocla Do Marintermediário para Ogum
Cabocla Iansanintermediário para Xangô
Cabocla Nanã Burukunintermediário para Yorimá
Cabocla Oxumintermediário para Yori

1 - Linha de Oxalá
Essa linha representa o princípio, o incriado, o reflexo de Deus, o verbo solar. É a luz refletida que coordena as demais vibrações. As entidades dessa linha falam calmo, compassado e se expressam sempre com elevação. Seus pontos cantados são verdadeiras invocações de grande misticismo, dificilmente escutados hoje em dia, pois é raro assumirem uma "Chefia de Cabeça".

2 - Linha de Iemanjá

Essa linha é também conhecida como Povo d'Água. Iemanjá significa a energia geradora, a divina mãe do universo, o eterno feminino, a divina mãe na Umbanda. As entidades dessa linha gostam de trabalhar com água salgada ou do mar, fixando vibrações, de maneira serena. Seus pontos cantados têm um ritmo muito bonito, falando sempre no mar e em Orixás da dita linha.

3 - Linha de Xangõ
Xangô é o Orixá que coordena toda lei Kármica, é o dirigente das almas, o Senhor da balança universal, que afere nosso estado espiritual. Resumindo, Xangô é o Orixá da Justiça. Seus pontos cantados são sérias invocações de imagens fortes e nos levam sempre aos seus sítios vibracionais como as montanhas, pedreiras e cachoeiras.

4 - Linha de Ogum
A vibração de Ogum é o fogo da salvação ou da glória, o mediador de choques conseqüentes do karma. É a linha das demandas da fé, das aflições, das lutas e batalhas da vida. É a divindade que, no sentido místico, protege os guerreiros. Os Caboclos de Ogum gostam de andar de um lado para outro e falam de maneira forte, vibrante e em suas atitudes demonstram vivacidade. Suas preces cantadas traduzem invocações para a luta da fé, demandas, batalhas, etc.

5 - Linha de Oxossi
A vibração de Oxossi significa ação envolvente ou circular dos viventes da Terra, ou seja, o caçador de almas, que atende na doutrina e na catequese. Suas entidades falam de maneira serena e seus passes são calmos, assim como seus conselhos e trabalhos. Seus pontos cantados traduzem beleza nas imagens e na música e geralmente são invocações às forças da espiritualidade e da natureza, principalmente as matas.

6 - Linha de Yori
Essas entidades, altamente evoluídas, externam pelos seus cavalos, maneiras e vozes infantis de modo sereno, às vezes um pouco vivas. Quando no plano de protetores, gostam de sentar no chão e comer coisas doces, mas sem desmandos. Seus pontos cantados são melodias alegres e algumas vezes tristes, falando muito em Papai e Mamãe de céu e em mantos sagrados.

7 - Linha de Yorimá 
Também chamada de Linha das Almas, essa linha é composta dos primeiros espíritos que foram ordenados a combater o mal em todas as suas manifestações. São os Orixás Velhos, verdadeiros magos que velando suas formas kármicas, revestem-se das roupagens de Pretos-Velhos ensinando e praticando as verdadeiras "mirongas". Eles são a doutrina, a filosofia, o mestrado da magia, em fundamentos e ensinamentos. Geralmente gostam de trabalhar e consultar sentados, fumando cachimbo, sempre numa ação de fixação e eliminação através de sua fumaça.
Seus fluídos são fortes, porque fazem questão de "pegar bem" o aparelho e o cansam muito, principalmente pela parte dos membros inferiores, conservando-o sempre curvo. Falam compassado e pensam bem no que dizem. Raríssimos os que assumem a Chefia de Cabeça, mas são os auxiliares dos outros "Guias"- o seu braço direito. Os pontos cantados nos revelam uma melodia tristonha e um rítmo mais compassado, dolente, melancólico, traduzindo verdadeiras preces de humildade.

Os Guias e as Linhas

Os Caboclos, Pretos-Velhos e Crianças, que fazem parte da chamada Corrente Astral de Umbanda, trabalham dentro de uma das Sete Linhas de Umbanda: Orixalá, Ogum, Oxossi, Xangô, Yorimá, Yori e Yemanjá.
Os Caboclos que trabalham nos terreiros são das seguintes Linhas: Orixalá (estes não incorporam, somente passam vibrações), Ogum, Oxossi, Xangô e Yemanjá;
Os Pretos-Velhos são da Linha de Yorimá;
E as Crianças da Linha de Yori.
Como descrito na “Tabela 1” (na primeira página), a linha se divide hierarquicamente em vários graus.
Nos terreiros, em geral trabalha-se com Protetores de 5º, 6º e 7º Grau. Para se trabalhar com Guia (4º Grau) é exigida muita experiência e devoção por parte do médium. Raras (praticamente impossíveis) são as incorporações de Orixás Menores (1º, 2º e 3º Grau), que necessitam de um médium muitíssimo preparado, corrente mediúnica segura, um terreiro limpo no físico, astral e mental, e ausência de obsessores até mesmo vindo da assistência. É impossível a incorporação de Orixás Maiores.
Os espíritos militantes da Umbanda só usam os mesmos nomes dos seus Chefes Principais, até quando são do 4º Grau, quer dizer, até quando são Guias (Chefes de Grupamento). Daí para baixo, até 7º Grau não seguem esta regra, variando seus nomes mas tendo a mesma ligação afim.