domingo, 22 de março de 2015


IANSÃ



É a aplicadora da Lei na vida dos seres emocionados pelos vícios. Seus campo preferencial de atuação é o emocional dos seres: ela os esgota e os redireciona, abrindo-lhes novos campos por onde evoluirão de forma menos “emocional”.

No comentário sobre o orixá Egunitá já abordamos nossa amada mãe lansã. Logo, aqui seremos breves em nosso comentário sobre ela, que também foi analisada no capitulo reservado ao orixá Ogum. Como dissemos antes, lansã, em seu primeiro elemento, e ar e forma com Ogum um par energético onde ele rege o pólo positivo e é passivo pois suas irradiações magnéticas são retas. lansã é negativa e ativa, e suas irradiações magnéticas são circulares ou espiraladas. Observem que lansã se irradia de formas diferentes: é cósmica (ativa) e é o orixá que ocupa o pólo negativo da linha elemental pura do ar, onde polariza com Ogum. Já em seu segundo elemento ela polariza com Xangô, e atua como o pólo ativo da linha da Justiça, que é uma das sete irradiações divinas.

Na linha da Justiça, lansã é seu aspecto móvel e Xangô é seu aspecto assentado ou imutável, pois ela atua na transformação dos seres através de seus magnetismos negativos.

lansã aplica a Lei nos campos da Justiça e é extremamente ativa. Uma de suas atribuições é colher os seres fora-da-Lei e, com um de seus magnetismos, alterar todo o seu emocional, mental e consciência, para, só então, redirecioná-lo numa outra linha de evolução, que o aquietará e facilitará sua caminhada pela linha reta da evolução.

As energias irradiadas por lansã densificam o mental, diminuindo seu magnetismo, e estimulam o emocional, acelerando suas vibrações. Com isso, o ser se torna mais emotivo e mais facilmente é redirecionado. Mas quando não é possível reconduzi-lo à linha reta da evolução, então uma de suas sete intermediárias cósmicas, que atuam em seus aspectos negativos, paralisam o ser e o retém em um dos campos de esgotamento mental, emocional e energético, até que ele tenha sido esgotado de seu negativismo e tenha descarregado todo o seu emocional desvirtuado e viciado.

Nossa amada mãe Iansã possui vinte e uma lansãs intermediárias, que são assim distribuídas: Sete atuam junto aos pólos magnéticos irradiantes e auxiliam os orixás regentes dos pólos positivos, onde entram como aplicadoras da Lei segundo os princípios da Justiça Divina, recorrendo aos aspectos positivos da orixá planetária Iansã. Sete atuam junto aos pólos magnéticos absorventes e auxiliam os orixás regentes dos pólos negativos, onde entram como aplicadoras da Lei segundo seus princípios, recorrendo aos aspectos negativos da orixá planetária Iansã. Sete atuam nas faixas neutras das dimensões planetárias, onde, regidas pelos princípios da Lei, ou direcionam os seres para as faixas vibratórias positivas ou os direcionam para as faixas negativas.

Enfim, são vinte e uma orixás lansãs intermediárias aplicadoras da Lei nas Sete Linhas de Umbanda. Como seus campos preferenciais de atuação são os religiosos, não é de se estranhar que nossa amada mãe lansã intermediária para a linha da Fé nos campos do Tempo seja confundida com a própria Oiá, já que é ela quem envia ao tempo os eguns fora-da-Lei no campo da religiosidade. lansã do Tempo, não tenham dúvidas, tem um vasto campo de ação e colhe os espíritos desvirtuados nas coisas da Fé, enviando-os ao Tempo onde serão esgotados.

Mas, não tenham dúvidas, antes ela tenta reequilibrá-los e redirecioná-los, só optando por enviá-los a um campo onde o magnetismo os esvazia quando vê que um esgotamento total em todos os sete sentidos é necessário. E isto o Tempo faz muito bem! Já lansã Bale, do Bale, ou das Almas, é outra intermediária de nossa mãe maior lansã que é muito solicitada e muito conhecida, porque atua preferencialmente sobre os espíritos que desvirtuam os princípios da Lei que dão sustentação à vida e, como vida é geração e Omulu atua no pólo negativo da linha da Geração, então ela envia aos domínios de Tatá Omulu todos os espíritos que atentaram contra a vida de seus semelhantes ao desvirtuarem os princípios da Lei e da Justiça Divina.

Logo, seu campo escuro localiza-se nos domínios do orixá Omulu, que rege sobre o lado de “baixo” do campo santo. Mas também são muito conhecidas as lansãs intermediárias Sete Pedreiras, dos Raios, do Mar, das Cachoeiras e dos Ventos (lansã pura). As outras assumem os nomes dos elementos que lhes chegam através das irradiações inclinadas dos outros orixás, quando surgem as Iansãs irradiantes e multicoloridas. Temos: • uma Iansã do Ar. • uma Iansã Cristalina. • uma lansã Mineral. • uma Iansã Vegetal. • uma lansã Ígnea. • uma lansã Telúrica. • uma lansã Aquática. Bom, só por esta amostra dos múltiplos aspectos de nossa amada regente feminina do ar, já deu para se ter uma idéia do imenso campo de ação do mistério “Iansã”.

O fato é que ela aplica a Lei nos campos da Justiça Divina e transforma os seres desequilibrados com suas irradiações espiraladas, que o fazem girar até que tenham descarregado seus emocionais desvirtuados e suas consciências desordenadas! Não vamos nos alongar mais, pois muito já foi dito e escrito sobre a “Senhora dos Ventos”.

Mãe YANSÃ é a Divindade que está assentada no pólo negativo (absorvedor) e cósmico da Linha da Lei, onde atua de forma ativa, para absorver os desequilíbrios cometidos no campo da Lei e da Justiça Divinas e reconduzir os seres ao equilíbrio.

A Divindade Yansã é a Qualidade Direcionadora de Deus, que atua de forma permanente em toda a Criação para que tudo e todos possam evoluir. Tudo na Criação Divina é direcionado para um caminho de evolução.

Assim, Yansã é a força móvel que direciona a Fé (campo de Oxalá), a Justiça (campo de Xangô), a Evolução (campo de Obaluayê), a Geração (campo de Iemanjá), a Agregação (campo de Oxum), a Lei (campo de Ogum).

Pai Ogum é o aspecto fixo da Lei, a irradiar continuamente as Vibrações Divinas da Lei Maior e com elas amparando e sustentando a tudo e todos de forma passiva (sem forçar ninguém). E Mãe Yansã é o aspecto móvel da Lei, que entra em ação para corrigir os desvirtuamentos dos seres neste Sentido da Vida e recolocá-los no caminho reto, de modo que também a Justiça Divina seja obedecida e aplicada. Pois quando a Lei não é cumprida, a Justiça também é desrespeitada. Como Orixá Cósmico, Yansã pune quem desvirtua ou se aproveita dessas Qualidades Divinas com más intenções.

Seu campo preferencial de atuação é o emocional dos seres. Como Divindade Direcionadora e Movimentadora, Mãe Yansã retira os seres de um caminho de estagnação evolutiva (provocada por seus desequilíbrios emocionais) e ajuda a encaminhá-los, cortando os seus excessos emocionais e colocando-os no caminho correto a seguir.

Além de corrigir excessos no campo da Lei e da Justiça, Yansã é o Orixá que dá amparo àqueles que vivem em obediência à Lei e à Justiça Maiores, protegendo-os e combatendo as injustiças que estejam enfrentando (projeções mentais negativas externas, magias negativas etc.). Sua atuação é Cósmica, ativa, negativa, mobilizadora e emocional, mas não é inconseqüente ou emotiva, porque Ela é o Sentido da Lei, e a Lei não é apenas punidora, mas também direcionadora.

É a mais guerreira de todos os Orixás Femininos. 

Yansã atua na Linha da Justiça ao lado de Xangô, e também na Linha da Lei ao lado de Ogum. Com Pai Xangô, Ela forma uma Linha polarizada ou mista Justiça/Lei, na qual Ele atua pelo elemento Fogo e Ela atua pelo elemento Ar. Já com Pai Ogum, Yansã forma um par puro na Linha da Lei, ambos atuando pelo elemento Ar.

Na Lei: Mãe Yansã é Movimentadora, é a Lei atuando para redirecionar os seres que se desequilibraram; e Pai Ogum é o princípio ordenador inquebrantável.

Nos elementos: Pai Ogum é o ar que refresca e a brisa que acalenta; e Mãe Yansã é o vendaval que desaba, e a ventania que faz tudo balançar.

Na Fé: Ogum é o princípio a ser obedecido; e Yansã é a novidade que renova a Fé na mente e no coração dos seres.

Na vida: Yansã é a busca de melhores condições de vida para os seres.

Na Criação Divina: Ogum é a defesa de tudo o que foi criado; e Yansã é a busca de adaptação do ser ao meio onde vive.

Na Irradiação da Lei, Ogum é passivo. Seu magnetismo irradia-se em ondas retas, em corrente contínua, e seu núcleo magnético gira para a direita (sentido horário). Seu Fator é Ordenador. Já Yansã é ativa, pois seu magnetismo irradia-se em ondas curvas, em corrente alternada, e seu núcleo magnético gira para a esquerda (sentido anti-horário). Seu Fator é Direcionador. Ogum é a Lei, a via reta.

Mas Yansã é o próprio sentido de direção da Lei, pois Ela é um Mistério que só entra na vida de um ser caso a direção que ele esteja dando à sua evolução e à sua religiosidade não siga a linha reta traçada pela Lei Maior. Neste caso, a Qualidade Direcionadora de Mãe Yansã envolve o ser numa de suas espirais, impondo-lhe um giro completo e transformador dos seus sentimentos viciados. Com isso, Ela o recoloca no caminho reto da vida; ou então, se necessário, o lança no Tempo, onde a sua religiosidade desvirtuada será paralisada e esgotada.

Neste último caso, os seres ficam retidos “no Tempo”, até esgotarem os vícios e desequilíbrios que afetavam suas mentes, seu emocional e seus campos energéticos. Por esse motivo é que a Divina Mãe Yansã tem uma atuação importantíssima sobre os eguns, que são espíritos endurecidos no mal: Ela os recolhe, paralisa, e os remete ao Tempo, nos domínios da Mãe Oyá-Tempo (Logunan), para que ali eles sejam completamente esgotados dos seus desequilíbrios. Só depois disso é que aquele ser- que deliberadamente praticou o mal por muitas e muitas vezes, ao ponto de “endurecer no mal”, como se costuma dizer-, somente depois de esgotado ou esvaziado da maldade que criou, é que o ser estará em condições de ser redirecionado, para recomeçar sua caminhada evolutiva.

Na Linha da Justiça, Yansã é seu aspecto móvel, pois atua na transformação dos seres, absorvendo seus magnetismos negativos; e Xangô é seu aspecto passivo, assentado ou imutável, a irradiar continuamente a Vibração da Justiça e do Equilíbrio Divinos para toda a Criação.

Sempre que a Justiça Divina é ativada, tanto o seu pólo passivo quanto o seu pólo ativo são ativados, e aí surge Yansã, a Regente da Lei nos campos da Justiça.

A natureza eólica (=do ar) de Yansã expande o fogo de Xangô. Assim, logo que o ser é purificado de seus vícios (pelo fogo de Xangô), Yansã entra na vida daquele ser e o redireciona e o reconduz para outro campo, no qual retomará sua evolução.

O primeiro elemento de Yansã é o Ar, que movimenta e sustenta o Fogo. Pois Yansã é movimento o tempo todo. O Fogo é, portanto, o segundo elemento de atuação desta Divindade.

Como aplicadora da Lei nos campos da Justiça, Yansã é extremamente ativa. Uma de suas atribuições é colher os seres fora da Lei, alterar todo o seu emocional, mental e consciencial, para então redirecioná-los numa outra linha de evolução, que os aquietará e facilitará suas caminhadas pela linha reta da evolução. Quando não é possível reconduzi-los, então uma das Intermediárias Cósmicas de Yansã paralisa os seres desequilibrados, retendo-os num dos campos de esgotamento mental, emocional e energético, até que eles tenham sido completamente esgotados dos seus negativismos e tenham descarregado todo o seu emocional desvirtuado e viciado.

Mãe Yansã Maior (ou Yansã Planetária) possui vinte e uma Yansãs Intermediárias, que são assim distribuídas:

- Sete atuam junto aos pólos magnéticos irradiantes, auxiliando os Orixás Regentes dos pólos positivos (Orixás Universais), como aplicadoras da Lei, recorrendo aos aspectos positivos do Orixá Yansã Planetário;

- Sete atuam junto aos pólos magnéticos absorventes, auxiliando os Orixás Regentes dos pólos negativos (Orixás Cósmicos), como aplicadoras da Lei, recorrendo aos aspectos negativos do Orixá Yansã Planetário;

- Sete atuam nas faixas neutras das dimensões planetárias, regidas pelos princípios da Lei, onde ou direcionam os seres para as faixas vibratórias positivas ou os direcionam para as faixas negativas.

São vinte e uma Yansãs Intermediárias, aplicadoras da Lei nas Sete Linhas de Umbanda, e seus campos preferenciais de atuação são os religiosos.

Justamente por atuarem de modo especial no campo religioso, Mãe Yansã Intermediária para a Linha da Fé nos campos do Tempo (Yansã do Tempo) às vezes é confundida com o Orixá Oyá-Tempo, já que é Yansã quem envia ao Tempo os eguns fora da Lei no campo da religiosidade.

Yansã do Tempo tem um vasto campo de ação e colhe os espíritos desvirtuados nas coisas da Fé, enviando-os ao Tempo, onde serão esgotados. Antes disso, Ela tenta reequilibrá-los e redirecioná-los, só optando por enviá-los a um campo onde o magnetismo os esvazia quando vê que um esgotamento total nos sete Sentidos é necessário.

Outra Intermediária de Mãe Yansã Maior é Yansã Balé (do Balê ou das Almas), que é muito solicitada e muito conhecida porque atua preferencialmente sobre os espíritos que desvirtuam os princípios da Lei que dão sustentação à vida. E como vida é Geração e Omolu atua no pólo negativo (Cósmico) da Linha da Geração, então Yansã Balé envia aos domínios de Tatá Omolu todos os espíritos que atentaram contra a vida de seus semelhantes ao desvirtuarem os princípios da Lei e da Justiça Divina.

Também são muito conhecidas as Yansãs Intermediárias Sete Pedreiras, dos Raios, do Mar, das Cachoeiras e dos Ventos (Yansã pura).

As outras Yansãs Intermediárias assumem os nomes dos elementos que lhes chegam através das irradiações inclinadas dos outros Orixás. E assim temos: uma Yansã do Ar, uma Yansã Cristalina, uma Yansã Mineral, uma Yansã Vegetal, uma Yansã Ígnea, uma Yansã Telúrica, uma Yansã Aquática.

Este resumo pode nos dar uma idéia do quanto somos amparados, protegidos e sustentados pelo Divino Criador, por Seus Tronos e Suas Divindades, de uma forma tão Perfeita que a nossa mente limitada não alcança.

Acontece, às vezes, de nos sentirmos desanimados, diante de situações que nos parecem injustas (traições, magias negativas, difamações, injúrias, ataques gratuitos contra o nosso trabalho religioso etc.). Nesses momentos, é importante lembrar que os Sagrados Orixás da Lei e da Justiça Divinas e todos os Sagrados Regentes dos demais Sentidos da Vida e Seus respectivos Intermediários estão em permanente atuação para nos defender e proteger, retendo nas malhas da Lei e da Justiça todo aquele que atentar contra a nossa vida, o nosso equilíbrio e a nossa evolução.

Para o nosso próprio equilíbrio e bem-estar, que possamos cultivar o hábito de fazer orações diárias em louvor e gratidão ao Divino Criador, aos Seus Divinos Tronos, aos Sagrados Orixás e a todas as Divindades presentes na Criação, velando por nós, nos guiando, nos direcionando, nos corrigindo, nos amparando, nos protegendo e nos defendendo, a cada instante da nossa existência.

Isto nos dá uma dimensão da importância de nossas vidas perante o Supremo Arquiteto do Universo e nos ajuda a valorizar também a importância de cada momento vivido. 

História

Na Nigéria, Yansã é a Divindade do Rio Niger. Impetuosa, guerreira e de forte personalidade, é considerada a rainha dos espíritos dos mortos, sendo reverenciada no culto dos eguns. Foi a principal esposa de Xangô, acompanhando-o em toda a sua jornada, em cujo final ambos se tornaram Orixás, tendo Ela se transformado nas águas turbulentas do Rio Níger.

O Níger é o maior e mais importante rio da Nigéria, pois seus afluentes atravessam as principais cidades do país, motivo pelo qual ficou conhecido com o nome Odò Oyá (em yorubá, ya significa rasgar, espalhar). Esse rio é a morada da mulher mais poderosa da África negra, a mãe dos nove oruns, dos nove filhos, do rio de nove braços, a mãe do nove, Ìyá Mésàn, Iansã, Yánsàn.

O nome Yansã (ou Iansã), como é reverenciado na Umbanda, tem origem provável numa dessas formas: Oyamésàn (que significa as nove Oyàs); Ìyá Mésàn (a mãe transformada em nove); Ìyá Omo Mésàn (a mãe de nove crianças). Cada uma delas está ligada a uma lenda, como será visto mais à frente.

Na tradição africana, embora seja saudada como a deusa do rio Níger, Mãe Yansã está relacionada ao elemento fogo, o que indica a união de elementos contraditórios: Yansã nasce da água e do fogo, da tempestade, de um raio que corta o céu no meio de uma chuva, é a filha do fogo- Omo Iná. A tempestade é o poder manifesto de Yansã, rainha dos raios, das ventanias, do tempo que se fecha sem chover.

Ela é uma guerreira por vocação, sabe ir à luta e defender o que é seu, e a batalha do dia-a-dia é a sua felicidade. Sabe conquistar, seja no fervor das guerras, seja na arte do amor. Mostra o seu amor e a sua alegria contagiantes na mesma proporção que exterioriza o seu descontentamento. Dessa forma, passou a identificar-se muito mais com atividades habitualmente relacionadas ao homem, que são desenvolvidas fora do lar, rejeitando o papel feminino tradicional.

Algumas lendas a relacionam a antigos cultos agrários africanos ligados à fecundidade, e daí é que vem a menção aos chifres de novilho ou de búfalo, símbolos de virilidade, que sempre surgem nas suas histórias. Yansã é a única que pode segurar os chifres de um búfalo porque, sendo cheia de encantos, foi capaz de transformar-se em búfalo e tornar-se mulher da guerra e da caça.

Associada ao ar, ao vento, à tempestade, ao relâmpago ou raio e aos ancestrais (eguns), é o Orixá que domina os furacões e ciclones. É o Orixá do fogo, do calor. É guerreira e regente das paixões. É o raio, a eletricidade, a energia viva.

Yansã também tem ligação com a floresta, onde se esconde, entra como mulher e se transforma num búfalo, animal considerado sagrado por muitas tribos, porque sua carne alimentava o povo, seu couro fornecia roupas e abrigos e seus ossos forneciam ferramentas. Yansã propicia a caça e alimento abundante.

No Candomblé, suas contas costumam ser vermelhas ou tijolo, o coral por excelência, o monjoló (uma espécie de conta africana, oriunda de lava vulcânica) e seus símbolos são: os chifres de búfalo, um alfanje, uma adaga de cobre e o eruexin (ou eruesin ou iruquerê, uma espécie de chicote confeccionado com pelos de rabo de cavalo encravados num cabo de cobre, que a Divina Mãe utiliza para espantar os eguns) Afefe, que é o vento, a tempestade, acompanha Oyà.

Os tornados e tempestades são as marcas de seu descontentamento.

Seus adeptos não podem sequer “encostar” em carneiro. E isso tem fundamento numa lenda, que será vista adiante. 

Lendas de Yansã

1-Yansã é dividida em nove partes

Diz uma lenda que Ogum preparou-se para ir à guerra. Oyá, sua esposa, também guerreira, quis acompanhá-lo, mas Ogum proibiu-a.

Usando de sua astúcia, e sem que Ogum soubesse, Oyá vestiu uma das roupas dele, prendeu os cabelos por baixo de um capacete e seguiu-o.

A luta foi grande. Ogum estava sendo derrotado, quando Oyá levantou sua espada, lutou por ele e venceu a batalha. Então, Ogum quis saber quem era aquele guerreiro. E foi quando Oyá, muito orgulhosa, tirou o capacete e soltou os cabelos, revelando-se.

Mas Ogum não quis admitir que uma mulher o salvasse, e levantou sua espada para matá-la. Oyá, ao mesmo tempo, também levantou a sua, para defender-se. As duas espadas tinham o poder de dividir os seres em várias partes. As espadas tocaram-se no ar. Travaram então uma grande luta, na qual Ogum cortou Oyá em nove partes e Oyá cortou Ogum em sete.
Outra lenda conta que Oyá era a companheira de Ogum e o ajudava a forjar o ferro. Por essa ajuda, Ogum ofereceu-lhe uma vara de ferro, semelhante à que ele possuía e que tinha o poder de dividir os homens em sete partes e as mulheres em nove, se por ela fossem tocados no decorrer de uma briga.

Xangô gostava de sentar-se próximo, a fim de apreciar o trabalho de Ogum, e de vez em quando lançava olhares para Oyá, que também olhava para Xangô. Xangô era belo e seu poder fascinava Oyá.

Um dia, Oyá fugiu com Xangô.

Ogum perseguiu-os. Encontrou-os e brandiu sua vara mágica. Oyá fez o mesmo. Suas armas se tocaram ao mesmo tempo. Assim, Ogum foi dividido em sete e Oyá em nove, recebendo Ele o nome de Ogum Méjeje (sete), enquanto Oyá recebeu o nome de Yámessan (nove).

2- O Casamento de Yansã e Ogum. Oyá se transforma em búfalo.

Ogum foi um dia caçar na floresta. Ficou à espreita e viu um búfalo vindo em sua direção. Preparou-se para matar o animal com sua espada. Mas o búfalo parou e, de repente, baixou a cabeça e despiu-se de sua pele. Da pele saiu uma linda mulher. Era Yansã. 
Sem saber que Ogum a observava, Yansã enrolou a pele de búfalo e os chifres que vestira, fez uma trouxa e a escondeu num formigueiro. Em seguida, partiu em direção ao mercado da cidade.

Assim que ela partiu, Ogum apoderou-se da trouxa, foi para casa e guardou-a no celeiro de milho, seguindo também para o mercado. Lá, encontrou Yansã, a mais bela mulher do mundo. Ogum foi subjugado pela sua beleza e pediu-a em casamento. Yansã apenas sorriu e recusou. Ogum insistiu e disse que a esperaria, pois não duvidava que ela aceitasse a proposta. 
Yansã voltou à floresta e não encontrou os chifres e nem a pele de búfalo. O quê teria se passado? O quê fazer? Voltou ao mercado, já vazio, e viu Ogum que a esperava. Perguntou-lhe o que havia feito da trouxa que ela deixara no formigueiro. Ogum fingiu inocência e declarou que nada sabia.

Yansã afirmou que sabia que ele escondera a pele e os chifres, insistindo para que mostrasse o esconderijo. Disse que se casaria com Ogum e viveria em sua casa, impondo algumas condições: “- Ninguém poderá me dizer: “Você é um animal!”Ninguém poderá utilizar cascas de dendê para fazer fogo. Ninguém poderá rolar um pilão pelo chão da casa”. 
Ogum concordou e levou Yansã casa, onde reuniu suas outras mulheres e explicou-lhes como deveriam comportar-se. Ninguém deveria discutir com Yansã, nem insultá-la. 
A vida organizou-se. Ogum saía para caçar ou cultivar o campo.

Yansã, em vão, procurava sua pele e seus chifres de búfalo.

Ela deu à luz uma criança, depois uma segunda e uma terceira. Ao final, teve nove filhos. 
Mas as outras mulheres viviam enciumadas da beleza de Yansã e decidiram desvendar o mistério da sua origem. Uma delas embriagou Ogum com vinho de palma e ele revelou o segredo: contou que Yansã era, na realidade, um animal e que sua pele e chifres estavam escondidos no celeiro de milho.

Depois disso, logo que Ogum saía para o campo, as mulheres insultavam Yansã: “- Você é um animal! Você é um animal! Pode exibir-se, mas sua pele está no celeiro de milho!” 
Um dia, todas as mulheres saíram para o mercado. Yansã correu para o celeiro e lá encontrou sua pele e chifres de búfalo. Vestiu-os e se sacudiu com energia. Quando as mulheres voltaram, investiu contra elas. Foi um massacre.

Yansã poupou apenas os filhos, dizendo-lhes que voltaria para a floresta, onde eles não poderiam viver. Mas deu-lhes os chifres de búfalo, com esta recomendação: 
“- Quando estiverem em perigo, ou precisarem dos meus conselhos, esfreguem estes chifres um no outro. Em qualquer lugar que estiverem, e de onde eu estiver, escutarei suas queixas e virei socorrê-los”.

Eis por que dois chifres de búfalo estão sempre presentes nos assentamentos e firmezas de Yansã.

3- Yansã e o Macaco Ijimeré

Em certa época, as mulheres eram relegadas a um segundo plano, nas suas relações com

os homens. Então, resolveram punir os maridos. Oyá era a líder das mulheres, e elas se reuniam na floresta.

Oyá havia domado e treinado um macaco marrom chamado Ijimeré, utilizando para isso um galho de atori (ixan), e o vestia com uma roupa feita com tiras de pano coloridas, de modo que ninguém via o macaco sob os panos.

Conforme Oyá brandia o ixan no solo, o macaco pulava de uma árvore e aparecia de forma alucinante, movimentando-se como fora treinado a fazer. Durante a noite, quando os homens por lá passavam, as mulheres (escondidas) faziam o macaco aparecer, e os homens fugiam, apavorados.

Cansados de tanta humilhação, os homens foram ver o babalaô para descobrir o que estava acontecendo. Através do jogo de Ifá, o babalaô conta-lhes a verdade e os ensina como vencer as mulheres através de sacrifícios e astúcia.

Ogum foi o encarregado da missão. Ele chegou ao local das aparições, vestiu-se com vários panos, ficando totalmente encoberto, e se escondeu. Quando as mulheres chegaram, ele apareceu subitamente, correndo, berrando e brandindo sua espada pelos ares. Todas fugiram apavoradas, inclusive Oyá.

Desde então os homens dominaram as mulheres e as expulsaram para sempre do culto de Egun. Hoje, eles são os únicos a invocá-lo e cultuá-lo. Mesmo assim, rendem homenagem a Oyá, na qualidade de Igbalé, como criadora do culto de Egun.

4- Oyá ganha de Obaluayê o reino dos mortos 

Certa vez, houve uma festa com todas as divindades presentes. Omolu-Obaluayê chegou vestindo seu capucho de palha. Ninguém o podia reconhecer sob o disfarce e nenhuma mulher quis dançar com ele.

Só Oyá, corajosa, atirou-se na dança com o Senhor da Terra. Tanto girava Oyá, na sua dança, que provocava vento. E o vento levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluayê.

Para surpresa geral, ele era um belo homem. E o povo o aclamou por sua beleza.

Obaluayê ficou mais do que contente, ficou grato. Em recompensa, dividiu com ela o seu reino, fez de Oyá a rainha dos espíritos dos mortos: Oyá Igbalé, a condutora dos eguns.

Oyá então dançou e dançou de alegria.

Para mostrar a todos seu poder sobre os mortos, ao dançar, Ela agora agitava no ar o iruquerê, o espanta-mosca com que afasta os eguns para o outro mundo. (Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – 2001)

5-Oyá Recebe o Nome de Yansã, a Mãe dos Nove Filhos

Oyá desejava ter filhos, mas não podia conceber. Consultou um babalaô, que lhe recomendou um ebó. Ela deveria oferecer um carneiro, um agutã, muitos búzios e muitas roupas coloridas.

Oyá fez o sacrifício e teve nove filhos.

Depois disso, quando ela passava em direção ao mercado, o povo dizia:

- Lá vai Yansã!- que quer dizer: a mãe de nove filhos.

E lá ia ela, orgulhosa,vender azeite de dendê.

Oyá não podia ter filhos, mas teve nove, depois de sacrificar um carneiro.

Em sinal de respeito, por ter seu pedido atendido, Yansã, a mãe dos nove filhos, nunca mais comeu carneiro.

E é por isso que seus adeptos também não tocam em carneiro.

6- Yansã percorre vários reinos para aprender

Yansã foi a paixão de Ogum, de Oxaguian e de Exu. Conviveu e seduziu Oxóssi e Logun-Edé e tentou, em vão, relacionar-se com Obaluayê.

Em Ifé, terra de Ogum, foi a grande paixão do guerreiro. Aprendeu com ele e ganhou o direito do manuseio e uso da espada.

No auge da paixão por Ogum, Yansã partiu para Oxogbô, terra de Oxaguian, onde aprendeu

e recebeu o direito de usar o escudo para se proteger. Quando Oxaguian estava tomado de paixão por Oyá, ela partiu.

Pelas estradas, ela se deparou com Exu, com ele se relacionou e aprendeu os mistérios do fogo e da magia.

No reino de Oxóssi, Oyá seduziu o deus da caça, aprendendo a caçar, a tirar a pele do búfalo e a se transformar naquele animal, com a ajuda da magia aprendida com Exu.

Seduziu o jovem Logun-Edé, filho de Oxóssi e Oxum, e com ele aprendeu a pescar.

Depois, Oyá partiu para o reino de Obaluayê, pois queria descobrir seus mistérios e até mesmo conhecer seu rosto.

Lá chegando, tratou de insinuar-se, dizendo:

- Como vai, Senhor das chagas?

Obaluayê responde: - O que Oyá quer em meu reino?

Yansã lhe diz: - Ser sua amiga, conhecer e aprender, somente isso. E para provar minha amizade, dançarei para você a dança dos ventos! (Dança que usara para seduzir reis como Oxóssi, Oxaguian e Ogum).

Durante horas Yansã dançou, sem conseguir atrair a atenção de Obaluayê, pois ele jamais se relacionou com alguém.

Yansã então procurou apenas aprender, fosse o que fosse. E assim dirigiu-se ao homem palha:

- Obaluayê, com Ogum aprendi a usar a espada; com Oxaguian, a usar o escudo; com Oxóssi, aprendi a caçar; com Logun-Edé, a pescar; com Exu, aprendi os mistérios do fogo e da magia. Falta-me apenas aprender algo contigo.

Obaluayê retrucou: - Você quer mesmo aprender, Oyá? Então lhe ensinarei como tratar os mortos!

De início, Yansã relutou. Mas seu desejo de aprender foi mais forte, e com Obaluayê ela aprendeu a conviver com os eguns (espíritos de baixa luz) e a controlá-los.

Depois, Oyá partiu para o reino de Xangô, pois acreditava que lá teria o mais vaidoso dos reis e aprenderia a viver ricamente.

Mas, ao chegar ao reino do deus do trovão, Yansã aprendeu muito mais que isso… Aprendeu a amar verdadeiramente e com paixão, pois Xangô dividiu com ela os poderes do raio e lhe seu coração...

7- As origens do acarajé

Segundo uma antiga história da África, Xangô, marido de Yansã, certa vez a enviou para uma aventura especial na terra dos baribas: buscar um preparado que daria a ele o poder de cuspir fogo.

Ao invés de obedecer ao marido, Yansã bebeu a alquimia mágica, adquirindo para si a capacidade de soltar labaredas de fogo pela boca.

Mais tarde, os africanos inventaram cerimônias que saudavam divindades como Yansã através do fogo. E, para isso, usavam o àkàrà, um algodão embebido em azeite de dendê, num ritual que lembra muito o preparo do acarajé.

O acarajé, que abastece o tabuleiro das baianas, é o alimento sagrado de Iansã.

Divindades assemelhadas:

Themis, Atena e Astréia- Divindades guerreiras da cultura grega, ligadas à Justiça e à ética

Nike- da cultura grega (equivalente a Victória, da cultura romana)

Bellona, Justitia- da cultura romana

Maat, Anat- da cultura egípcia

Durga, Indrani- da cultura hindu

Valquírias- Divindades guerreiras da cultura nórdica. Conhecidas pela luminosidade das suas armaduras, também chamadas “luzes do norte”

Maeve, Nehelenia, Andrasta- Divindades da cultura celta

Irnini, Inanna- Divindades guerreiras da cultura sumeriana

Ishtar- Divindade babilônica equivalente à Inanna sumeriana

Mah- Divindade da guerra da Capadócia

Daena- Divindade persa

Anat- Divindade mesopotâmica da guerra, da vida e da morte

Rauni- Divindade da cultura finlandesa

Perkune Tete- Divindade eslava

Características dos filhos de Yansã

Para os filhos de Yansã, viver é uma grande aventura. Enfrentar os riscos e desafios da vida são os prazeres dessas pessoas. Escolhem seus caminhos mais por paixão do que por reflexão. Não ficam em casa, vão à luta e conquistam o que desejam.

São atiradas, extrovertidas e diretas, jamais escondem seus sentimentos. Entregam-se a súbitas paixões e de repente esquecem, partem para outra, e o antigo parceiro é como se nunca tivesse existido. São extremamente fiéis à pessoa que amam, mas só enquanto amam. Os relacionamentos longos só acontecem em suas vidas quando controlam seus impulsos, sendo então capazes de viver para o resto da vida ao lado da mesma pessoa.

São audaciosas e ciumentas.

Vaidosas, altruístas e inteligentes, são tagarelas, alegres e animadas, fazem festa com tudo.

Comunicam-se facilmente e falam alto. Otimistas, despachadas e carinhosas, têm excelente disposição.

Tomam decisões rápidas e têm alto poder de imaginação. 

Têm um forte dom para a magia e uma incrível capacidade de adaptação. 

Trabalhadeiras, dedicam-se inteiramente àquilo que gostam.

Tendem a ser autoritárias e possessivas. Seu temperamento muda repentinamente, sem que ninguém esteja preparado para essas guinadas.

Na condição de amigos, revelam-se pessoas confiáveis. Mas, cuidado: os mais prudentes não ousariam confiar-lhes um segredo, pois se mais tarde acontecer uma desavença, um filho de Oyá não pensará antes de usar, como arma, tudo o que lhe foi contado.

Seu comportamento pode ser explosivo como uma tempestade, ou calmo como uma brisa de fim de tarde. Só uma coisa os tira do sério: mexer com um filho seu é o mesmo que comprar uma briga de morte, pois na defesa dos filhos batem em qualquer um, crescem no corpo e na raiva, não têm medida...

Quando oferendar:
Para pedir direcionamento em qualquer setor da nossa vida; para obter equilíbrio emocional (quando a pessoa está muito alterada em suas emoções); para obter o amparo da Lei e da Justiça Divinas em qualquer situação conflituosa; para pedir proteção contra atuações negativas externas; para não ceder à tentação de revidar o mal que alguém nos tenha feito; para fazer movimentar e superar situações de estagnação que estejam se arrastando em algum setor da vida da pessoa.

Onde oferendar: Numa pedreira, num campo aberto, à beira-mar ou à beira de uma cachoeira (no encontro pedras/águas).

Oferendas:

1- Três velas brancas, três amarelas e três vermelhas; champanhe branco; licor de menta e licor de anis ou de cereja; rosas e palmas amarelas.

Montagem: Dispor as flores em círculo. Se a pessoa está pedindo auxílio para problemas internos (bloqueios íntimos, excessos emocionais etc.), as flores devem ser colocadas voltadas para dentro. Se a pessoa pede auxílio para problemas externos a ela, colocar as flores apontando para fora. Dentro do círculo das flores, despejar os licores. Em torno, firmar as velas, alternando as cores (1 branca/1 amarela/1 vermelha). Circundando toda a oferenda, derramar o champanhe.

2- 7 velas amarelas (ou vermelhas); 7 bananas descascadas e cortadas no sentido do comprimento; 7 pedaços de canela colocados em volta ou então sobre as bananas; mel para regar as bananas; palmas amarelas e/ou girassóis circundando as frutas; champanhe branco; 1 prato de papelão, pétalas de rosas amarelas e/ou vermelhas e folhas de laranjeira.

Dispor as frutas no prato de papelão forrado com pétalas de rosas e as folhas de laranjeira

(ou diretamente sobre as pétalas e ervas). Colocar as flores em volta. Circundar tudo com champanhe branco (ou então colocar a bebida em 7 metades de maracujás limpas, sem a polpa).

3- Uma folha de bananeira; mel; canela em pó; 7 mangas descascadas e inteiras, regadas com mel; 7 maracujás inteiros; 7 copinhos com água de chuva; 7 velas brancas, 7 velas amarelas e 7 vermelhas.

Montar a oferenda sobre a folha de bananeira regada com mel e canela em pó (ou então sobre folhas de laranjeira ou até sobre pétalas de rosas na cores branca, amarela e vermelha). Colocar as frutas no centro, circular com os 7 copos com água de chuva. Circundar tudo com 7 velas brancas, 7 velas amarelas e 7 vermelhas (alternar: 1 vela branca/1 vela amarela/ 1 vela vermelha).

Amaci:
 Água de cachoeira, de rio, de fonte ou então água de chuva com rosas brancas, guiné e alecrim, macerados e curtidos por sete dias.

Cozinha ritualística:

1-Acarajé: 500g feijão fradinho, 3 cebolas raladas, 1 colher de sopa de sal, 1 garrafa de dendê. Deixar o feijão de molho de véspera. Retirar o olhinho preto e a pele. Triturar. Temperar com cebola e sal. Bater bem, com colher de pau, até virar um creme. Reservar a massa para fritar.

Fazer um molho: 500g de camarão seco, torrado e moído; 2 pimentas malaguetas, 1 cebola ralada, coentro fresco bem batido, 2 xícaras de dendê. Misturar tudo muito bem. Levar ao fogo por uns 10 minutos.

Fritar a massa às colheradas, em azeite de dendê quente, dourando os dois lados.

Abrir os acarajés com uma faca e rechear com o molho. Servir quente.

Oferendar num prato de papelão coberto com folhas de alface. Ou colocar diretamente sobre a alface (ou outra verdura).

2- Bobó de camarão: Temperar cerca de 1 quilo e meio de camarões médios com sal, pimenta, o suco de 2 limões, 1 maço de cheiro verde, 1 folha de louro picada e 2 cebolas raladas. Deixar em repouso por uns 30 minutos. Depois, refogar em 5 colheres (sopa) de óleo. Acrescentar 2 pimentões (sem pele e picadinhos) e 8 tomates (picados, sem pele e sem semente). Tampar e deixar apurar em fogo baixo por uns 15 minutos.

Cozinhar cerca de 1 kg de mandioca e 500g de mandioquinha, separadamente. Depois bater no liquidificador, com 2 copos de leite de coco. Juntar esse creme ao refogado de camarão e apurar mais um pouco. Acrescentar 2 colheres (sopa) de dendê e um pouco de molho de pimenta vermelha, a gosto. Deixar apurar por uns 5 minutos. Servir quente, com arroz branco ou com acaçá.

3- Abará: - Ingredientes: 500 g feijão fradinho; 6 folhas médias de bananeira cortadas em pedaços de 10 x 20 cm; 2 cebolas em pedaços; 250 gramas de camarão seco defumado, sem casca; 1 colher (chá) de gengibre ralado; dendê.

Deixar o feijão de molho na véspera. Retirar as cascas que se soltarem, lavar bem e coar. Bater no liquidificador até ficar bem quebrado Reservar.

Cozinhar a folha de bananeira no vapor por uns 4 minutos (até começar a murchar) e reservar.

Bater o feijão, a cebola, o camarão e o gengibre no liquidificador, até ficar uma massa homogênea. Juntar o dendê e misturar bem.

Enxugar bem as folhas de bananeira. Em cada uma, colocar uma colher da massa. Numa das pontas, sobreponha um lado da folha sobre o outro. Dobre as laterais para o centro, como uma flecha. Dobre para baixo. Repita a operação com a outra extremidade.

Cozinhar os abarás no vapor por 30 minutos, ou até dobrarem de volume.

Recheio: Passar o camarão no liquidificador. Fritar a cebola no dendê, até murchar. Juntar o camarão e refogar por uns 10 minutos, em fogo baixo. Se secar, junte um pouco de água.

Cortar o abará ao meio e rechear. Servir frio ou quente, na folha de bananeira.

4- Nove espigas de milho ligeiramente cozidas e regadas com mel. Oferendar sobre folha de bananeira.

5-Maçãs: Nove maçãs inteiras, com casca e bem lavadas; rosas vermelhas e pedaços de canela para decorar; mel o suficiente para regar.

Colocar as maçãs numa panela com água apenas para uma leve fervura (amolecer levemente). Retirar as maçãs, colocar numa bandeja ou prato de vidro ou de louça. Regar com mel e enfeitar com as rosas vermelhas e a canela.

6-Pepinos: Nove pepinos (do tipo gordinho), azeite de oliva, azeite de dendê e flores do campo amarelas e vermelhas (ou rosas) para decorar.

Cortar os pepinos (com casca e já lavados) em rodelas de espessura média.

Colocar o pepino fatiado num alguidar, em camadas.

Cada camada de pepino precisar ser regada: primeiro, com um fio de azeite de oliva; depois, com um fio de dendê.

Enfeitar com as flores.

Alguns Caboclos de Iansã:
 Caboclo 7 Ventanias (de Oxalá e Yansã), Caboclo Ventania, Caboclo Gira-mundo (de Oxalá e Yansã- “mundo”=espaço= Oxalá; e “gira”=movimento=Yansã), Caboclo ou Cabocla dos Ventos, Caboclo 7 Pedreiras (de Oxalá e Yansã), Caboclo Pedra Amarela (de Oxalá e Yansã).

Alguns Exus de Iansã
: Exu 7 Chifres (de Oxalá=7; e de Yansã= chifre), Exu 7 Fagulhas (Oxalá, Xangô e Yansã), Exu Gira-mundo (de Oxalá e Yansã), Exu 7 Giras (de Oxalá e Yansã), Exu 7 Poeiras (de Oxalá, Omolu e Yansã), Exu Mangueira, Exu Corta Ferro (de Yansã e Ogum), Exu 7 Pedreiras (de Oxalá e Yansã).

Algumas Pombagiras de Iansã:
 Pombagira dos Ventos, Pombagira Ventania, Pombagira Fogueteira (de Egunitá e Yansã), Pombagira das 7 Giras (de Oxalá e Yansã), Pombagira Gira-mundo (de Oxalá e Yansã), Pombagira da Rosa Amarela.

TRONO
Feminino da Lei
Linha/Sentido
Lei
Campos de atuação
Lei e Justiça Divinas
Atributo
Lei/Direcionamento
Fator
Fator puro: Movimentador
Fator composto ou misto: Ordenador
Essência
Eólica (Ar)
Elemento
Ar
Polariza com
Ogum, na Linha da Lei, formando um par puro no elemento Ar.
Também polariza com Xangô, na Linha da Justiça, formando um par misto nos elementos Fogo/Ar
Cor
Amarelo. Também o vermelho.
Fio de Contas
Amarelas; ou amarelas e brancas; ou amarelas e vermelhas
Ferramentas 
-Eruexim ou iruexim (chibata feita de rabo de cavalo e/ou de búfalo e atada a um cabo de osso, de madeira ou de metal, que Yansã segura em uma das mãos, quando dança, para impor respeito, proporcionar vento e espantar e/ou encaminhar os eguns. É o signo de poder yorubá);
-Espada flamejante de cobre, que faz dela a guerreira do fogo. (O cobre é um elemento metálico, de cor castanho-avermelhada,  maleável, sendo um condutor de eletricidade e de calor.);
-Dois chifres de búfalo- Símbolos de virilidade. Quando emitem som, eles proporcionam a fecundidade.
Ervas
Alfavaca, arruda, buchinha do norte, calêndula, camomila, cana do brejo, cânfora, capuchinha, casca de laranja, cavalinha, chapéu de couro, cidreira, cipó cravo, cipó São João, erva de Santa Luzia, espada de Santa Bárbara, eucalipto, folhas de pitanga, folha de fogo, folhas de bambu, fumo (tabaco), hortelã, imburana, jurubeba, laranjeira, losna, mamona, picão preto, pára-raio, tiririca, vence demanda, pinhão roxo, peregum rajado (dracena verde e amarela), pinhão branco, quebra-demanda, semente de girassol, sabugueiro, semente de imburana (cf. Adriano Camargo).



Mais ervas: Açucena, alfazema de caboclo, anil, brinco de princesa (a flor), catinga de mulata, colônia, cordão de frade (ou cordão de São Francisco), cerejeira, cipó azougue, cravo da índia, dormideira, erva prata, folhas de cajueiro, folhas de canela, folhas de cenoura, folha de louro, folha de manga, folhas de rosa branca, gervão roxo, gerânio rosa, gerânio vermelho, hibisco, mal-me-quer, menta (é um tipo de hortelã), orquídea, pessegueiro, samambaia, violeta, mitanlea, parietária.
Símbolos
Espada, cálice, raio, os chifres de búfalo, alfanje, adaga de cobre, eruesin ou eruexin (espécie de chicote confeccionado com pelos de rabo de cavalo e encravados em um cabo de cobre, utilizado pela Divindade para "espantar os eguns").
Ponto de força na Natureza
As pedreiras e os caminhos.
Flores
Palmas amarelas e vermelhas, rosas amarelas e vermelhas, açucena, tulipa, primavera, impatiens.
Essências
Mirra, canela, cravo, pitanga
Pedras
Citrino, cristal com enxofre. Dia indicado para a consagração da pedra: 5ª-feira. Hora indicada: 16 horas.
Metais e Minérios
Metal: Cobre.
Minério: Níquel. Dia indicado para a consagração: domingo. Hora indicada: 16 horas.
Saudação
"Salve a nossa Mãe Yansã!"- Resposta: "EPARREI, YANSÃ!"
Planeta
Marte e o Sol
Dia da Semana
Terça-feira
Chacra
Laríngeo ou da garganta
Saúde
Portais de Cura
Glândula tireóide, garganta, ouvidos, pescoço, voz, maxilares, tubos branquiais, traquéia, parte superior dos pulmões, braços, esôfago. No aspecto emocional, diz respeito à nossa capacidade de comunicar e expressar a nossa vontade (saber dizer “sim” e “não”) e de nos colocarmos perante a sociedade.
Água de chuva, velas amarelas e vermelhas, pimentas amarelas, pedaços de bambu, flores (cf. Adriano Camargo).
Bebida
Champanhe branco, licor de cereja, licor de anis, licor de menta, vinho rosê, água de chuva.
Animais
Búfalo, borboleta,
Comidas
Abacaxi, manga rosa, romã, pitanga, maçã vermelha, cereja, mamão, melão, moranga, pêssego, pitanga, caju, melancia, banana ouro, banana nanica, cenoura com mel, jambo, tangerinalaranja Bahia (laranja de umbigo), limão, uva rosa, cereja, grãos. (Obs.: A banana tem um simbolismo particular, pela cor amarela da casca e pelo  formato da fruta, que lembra as “espirais” de Yansã.)
Números
13 e 09
Data Comemorativa
O dia 04 de dezembro.
Sincretismo
Santa Bárbara, celebrada em 04 de dezembro.
Também é sincretizada com Santa Brígida.
Incompatibilidades
Carneiro
Qualidades
1-Oyà Biniká; 2-Oyà Seno; 3-Oyà Abomi; 4-Oyà Gunán; 5- Oyà Bagán; 6- Oyà Onìrá; 7- Oyà Kodun; 8- Oyà Maganbelle; 9- Oyà Yapopo; 10- Oyà Onisoni; 11- Oyà Bagbure; 12- Oyà Tope; 13- Oyà Filiaba; 14- Oyà Semi; 15- Oyà Sinsirá; 16- Oyà Sire; e 17- Oyà Gbale ou Igbale (aquela que retorna à terra), que se subdivide em: Oyà Gbale Funán; Oyà Gbale Fure; Oyà Gbale Guere; Oyà Gbale Toningbe; Oyà Gbale Fakarebo; Oyà Gbale De; Oyà Gbale Min; Oyà Gbale Lario; Oyà Gbale Adagangbará. Estas Oyàs estão ligadas ao culto dos mortos. Quando dançam, parecem expulsar as almas errantes com seus braços. Têm forte fundamento com Omolu, Ogum e Exu.
Extraído de: www.seteporteiras.org.br/ www.colegiodeumbanda.com.br

IEMANJÁ



Iemanjá, Iyemanjá, Yemanjá, Yemaya, Iemoja, ou Yemoja

Dandalunga (angolas), Kaiala (congos), Janaína, Inaê, Sobá, Oloxum, Princesa de Aiucá, Sereia Mukunã, Senhora da Calunga Grande, Rainha do Mar ou Senhora da Coroa Estrelada

Estes são alguns dos nomes que designam Yemanjá, a Divindade que na Umbanda é a Grande Mãe, a Mãe da Geração.

Yemanjá é a Divindade que está assentado no pólo universal positivo ou irradiante do Trono da Geração e da Vida e que rege a Sétima Linha de Umbanda (Linha da Geração), onde polariza com o Orixá Omolu (Trono Masculino da Geração), cujo magnetismo é negativo ou absorvedor.

Yemanjá, a Mãe da Vida, é a água que vivifica; e Pai Omulu é a terra que amolda os viventes.

O campo preferencial de atuação de Yemanjá é no amparo à maternidade, porque Ela é Senhora do Mistério Maternal. Simboliza a maternidade, o amparo materno, a mãe propriamente, “a Mãe da Vida”.

Mãe Yemanjá representa a Manifestação das Qualidades Geradora e Criativa do Divino Criador. É o Orixá Universal que irradia continuamente as Qualidades geradoras da vida e da criatividade, abençoando todos os seres de forma natural, sem forçar ninguém. E sempre ampara aqueles que pedem e buscam essas bênçãos. 

Ela irradia o tempo todo seu Fator Gerador e Criacionista, que estimula a geração e a criatividade das pessoas, trazendo oportunidades de crescimento nos Sete Sentidos da Vida, pois irá estimular a geração de vidas, de idéias, de fé, de amor, de conhecimento etc.

Yemanjá rege sobre a geração e simboliza a maternidade, o amparo materno, a mãe propriamente. Ela se projeta e faz surgir sete pólos magnéticos ocupados por sete Yemanjás intermediarias, que são as regentes dos níveis vibratórios positivos e são as aplicadoras de seus aspectos, todos positivos, pois Yemanjá não possui aspectos negativos.

Estas sete Yemanjás são intermediárias e comandam incontáveis linhas de trabalho dentro da Umbanda. Suas Orixás intermediadoras estão espalhadas por todos os níveis vibratórios positivos, onde atuam como mães da “criação”, sempre estimulando nos seres os sentimentos maternais ou paternais.

Todas atuam a nível multidimensional e projetam-se também para a dimensão humana, onde têm muitas de suas filhas estagiando. Todas têm suas hierarquias de Orixás Yemanjás intermediadoras, que regem hierarquias de espíritos religados às hierarquias naturais.

Nos mitos da Criação do Universo, Ela é a representação do Princípio Feminino, é “o aspecto Mãe” do Criador. É conhecida como "a Mãe de todos os Orixás" porque está na origem de todas as coisas.

O principal elemento de Yemanjá é a água, o elemento das emoções. O mar é regido por Ela; e a Ciência estuda que a origem da vida está nas águas.

O mar representa todas as águas, já que todas as águas correm para o mar. E o mar “lava” os nossos problemas e mágoas e renova a nossa vontade de viver, justamente porque a sua energia é uma Emanação da Mãe da Vida. Assim, podemos pedir a Yemanjá que nos ajude a lidar com as nossas emoções e a equilibrá-las.

A Regência de Yemanjá vai muito além da geração através do sexo, pois representa a Geração da Vida no sentido mais amplo: a geração dos seres, das criaturas e das espécies; e a doação da criatividade que permite aos seres encontrarem seus "pares", unindo-se a eles para se multiplicarem e conseguirem melhores resultados nas suas vidas. Esses "pares" são as Energias emanadas por este Orixá, que podemos atrair para nos ajudar a desenvolver nossos potenciais; e também podem surgir como pessoas, companheiros, parceiros de caminhada, grupos de estudos e atividades etc. Tudo isso está contido no Mistério Maternal de Yemanjá, que nos dá equilíbrio emocional e energético, gerando novos caminhos e oportunidades em nossas vidas.

Desse modo, podemos pedir à Mãe Yemanjá a bênção da criatividade sempre que formos iniciar algum projeto novo e quando precisarmos encontrar novas fórmulas de viver e novos caminhos (de trabalho, de fazer as coisas, de encarar os desafios da vida).

Associada ao movimento das águas e à fertilidade, Yemanjá é dona de grande poder de sedução e capaz de encantar os marinheiros e arrastá-los para o seu palácio submerso, de onde nunca mais retornam... Podemos entender isso como a necessidade que o ser humano tem de manter o equilíbrio emocional, para não cair num mergulho em emoções desequilibradas, sempre de difícil retorno...

Suas águas salgadas simbolizam as lágrimas de uma mãe que sofre pela vida de seus filhos, que os vê se afastarem de seu abrigo, tomando rumos independentes.

Além de protetora da vida marinha, Yemanjá é principalmente a protetora da harmonia familiar, do lar, do casamento e do nascimento, é a Sua força que ampara o momento do nascimento de um bebê.

A Regência de Yemanjá em nossas vidas se manifesta na necessidade de sabermos se aqueles que amamos estão bem e protegidos; é a preocupação, é o amor ao próximo, principalmente em relação àqueles que nos são queridos.

É Ela quem nos dá um sentido de união, de grupo, transformando a convivência num ato familiar, criando dependências e raízes, proporcionando sentimentos de irmão para irmão, de pai para filho, com ou sem laços consanguíneos. É uma energia Sagrada que nos integra no Todo da Criação de forma amorosa e maternal.

Nos templos africanos, é retratada como uma mulher de seios fartos e semblante calmo, porém decidido. O simbolismo dos “seios fartos” é o da Grande Mãe que provê o alimento necessário a todos os filhos. E aqui a palavra “alimento” corresponde às Energias Divinas que Ela não cessa de Irradiar sobre todos os seres, espécies e elementos, mantendo e renovando a imensa Teia da Vida.

História

Yemanjá na África - Yemanjá ou Yemoja é o Orixá dos Egbá, uma Nação Iorubá outrora estabelecida na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemoja. Yemanjá era cultuada às margens desse rio.

Seu nome, assim como o de todos os Orixás, vem da cultura Nagô, de língua Iorubá, e deriva de “Yèyé Omo Ejá”, que significa a Mãe cujos filhos são peixes ou a Mãe de muitos filhos (Yèyé ou Yê= mãe; Omo= filhos; Ejá= peixes).

As guerras entre Nações Iorubás levaram os Egbá a emigrarem na direção oeste, para Abeokutá, no início do século XIX. Obviamente que não poderiam levar consigo o rio Yemoja, então os Egbá transportaram os objetos sagrados de suporte do axé da Divindade, passando a cultuá-la no rio Ògùn, que atravessa a região. Pierre Verger afirma que este rio Ògùn não deve ser confundido com Ogum, o deus do ferro e dos ferreiros, baseando esta afirmação nos ensinamentos mais antigos e tradicionais sobre a Divindade Ogum, e inclusive contrariando escritos de alguns autores do final do século passado.

O principal templo de Yemanjá está em Ibará, um bairro de Abeokutá. Seus fiéis, todos os anos, vão buscar a água sagrada numa fonte do rio Lakaxa, que é um afluente do rio Ògùn, para lavar os axés da Divindade. Essa água é recolhida em jarras, transportada numa procissão seguida por pessoas que carregam esculturas de madeira (ère) e um conjunto de tambores. Na volta, o cortejo vai saudar as pessoas importantes do bairro, começando por Olúbàrà, o rei de Ibará.

Entre os Egbá, Yemanjá ou Yemojá é saudada como “Odò ìyá” (Odo=rio; ìyá= mãe). Ela é filha de Olokun, Divindade riquíssima, dona do oceano e de todas as suas riquezas. Em Ifé, Olokun é uma Divindade feminina, uma deusa do mar; e em Benin e Lagos, é cultuada como Divindade masculina, é um deus do mar. 

Numa história de Ifá, Yemanjá aparece casada pela primeira vez com Orumilá, Senhor das Adivinhações; e depois com Olofin, Rei de Ifé.

Segundo as lendas, desse casamento com Olofin, Yemanjá teve dez filhos, entre eles Oxumarê ("O arco-íris que se desloca com a chuva e guarda o fogo nos seus punhos") e Xangô ("O trovão que se desloca com a chuva e revela seus segredos").

Yemanjá também foi casada com Oxalá; união que representa a fusão do céu com o mar, no horizonte.

Considerada a Mãe de todos os Orixás e da humanidade, Yemanjá simboliza a manifestação da procriação, da restauração das emoções e a fecundidade. É a grande provedora, que proporciona o sustento a todos os seus filhos. (Do livro "Orixás” - Pierre Fatumbi Verger - Editora Corrupio.)


Yemanjá no Novo Mundo - Yemanjá é uma Divindade muito popular no Brasil e em Cuba.

Usa roupas cobertas de pérolas e tem filhos no mundo inteiro. Está em todo lugar aonde chega o mar.

Seu axé é assentado sobre pedras marinhas e conchas, guardadas numa porcelana azul.

Nas religiões de matriz africana, o sábado é o dia da semana que lhe é usualmente consagrado, juntamente com outras Divindades femininas.

Suas comidas rituais ou votivas consistem de carneiro e pato, além de preparados à base de milho branco, azeite, sal e cebola.

Seus adeptos usam colares de contas de vidro transparentes e vestem-se, de preferência, de azul-claro.

Em Cuba, Yemanjá é reverenciada como Yemajá ou Yemayá e também relacionada às cores azul e branca. É uma Rainha do Mar Negra, que assume o nome cristão de “La Virgen de la Regla” e faz parte da Santeria, como Santa Padroeira dos portos de Havana.

Yemanjá no Brasil
 Entre as Mães Orixás, Yemanjá é a mais popular, sendo festejada em todo o Brasil como a Rainha do Mar, a Padroeira dos náufragos, a Grande Mãe, a Mãe de todas as cabeças humanas. Na versão de Pierre Verger, Ela representa a mãe que protege os filhos a qualquer custo, a mãe de vários filhos (peixes), que adora cuidar de crianças e de animais domésticos.

Além dos muitos nomes africanos pelos quais é conhecida, a forma portuguesa Janaína também é utilizada; e foi criada como a maneira mais branda de "sincretismo" encontrada pelos africanos aqui escravizados para a perpetuação dos seus Cultos. Várias composições de autoria popular foram realizadas de forma a saudar a "Janaína do Mar", e algumas como canções litúrgicas.

Diz JORGE AMADO: “Iemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta”. 

Na Bahia, seus adeptos usam colares de contas de vidro transparentes e vestem-se, de preferência, de azul-claro.

Seu axé é representado por pedras marinhas e conchas consagradas ritualmente, guardadas numa sopeira de porcelana azul.

No Candomblé, durante o Xirê dos Orixás (dança dos Orixás), suas Iaôs trazem um leque de metal branco nas mãos e tocam alternadamente a testa e a nuca, com as mãos, numa saudação à Regência de Yemanjá na vida dessas filhas. Alguns entendem que por esse gesto, de tocar a testa e a nuca, Yemanjá procura chamar a atenção para a beleza do seu penteado de rainha.

As saudações mais usadas para Yemanjá são: Odoiyá (ou Odoyá); Odô Miô (ou Omio; ou Omiodo); Odociaba (ou Odociyabá; ou Odofiaba; ou Odô-fe-iaba)- significando “Mãe do rio” ou “Mãe das águas”. São verdadeiros mantras de Yemanjá que, ao serem pronunciados com amor e reverência, atraem as Irradiações da Mãe Divina.

Yemanjá é o único Orixá que tem uma imagem genuinamente umbandista, na qual é retratada com um vestido azul, longos cabelos negros e pérolas caindo das mãos. Algumas vezes, tem vestes branco-peroladas, cor que lembra muito a fusão dos elementos Água e Cristal, sobre os quais Yemanjá atua. De acordo com Pai Ronaldo Linares, a referida imagem foi visualizada acima do mar, na década de 1950, pela senhora Dala Paes Leme. Um artista pintou um quadro da imagem descrita, e a partir dele começaram a ser feitas essas imagens de Yemanjá, adotadas em boa parte dos Terreiros de Umbanda.

As Festas para Yemanjá

Se na África Yemanjá é relacionada a um rio, no Brasil Ela é associada às águas salgadas do mar; já que as águas doces dos rios são o domínio de Oxum. Por isso, as praias são o palco sagrado de grandes festas de homenagem a Yemanjá.

No Brasil, Yemanjá goza de grande popularidade entre os seguidores da Umbanda, do Candomblé, do Batuque, do Xambá, do Xangô do Nordeste, do Omolokô e mesmo entre fiéis de outras religiões, pois o arquétipo da Grande Mãe está presente no inconsciente dos povos. Muitas festas a homenageiam. Flores, perfumes, jóias e bijuterias são algumas das oferendas que recebe nessas ocasiões.

No Rio de Janeiro e em Natal, Yemanjá é homenageada na passagem do ano.

Na Bahia e no Rio Grande do Sul, as maiores festas acontecem no dia 02 de fevereiro. A grande festa baiana ocorre na Praia do Rio Vermelho, em Salvador. Já no Rio Grande do Sul os maiores festejos são em Porto Alegre e Pelotas.

Em São Paulo e em João Pessoa, na Paraíba, Yemanjá é celebrada no dia 08 de dezembro. Na mesma data, a Bahia realiza duas outras festas para a Mãe das Águas.

Em São Paulo, as maiores comemorações ocorrem no município de Praia Grande, Litoral Sul, com milhares de fiéis. A tradição teve início em 1969, quando uma grande imagem de Yemanjá foi colocada perto da Vila Mirim, por iniciativa de Pai Demétrio Domingues e de outros líderes Umbandistas da época. Vale lembrar que o dia 08 de dezembro é consagrado a Nossa Senhora da Conceição, dentro da liturgia Católica, e que esta Santa sincretiza com o Orixá Oxum. Pai Ronaldo Linares conta que na década de 60, neste dia 08, se fazia uma Festa para Oxum, onde havia “um encontro de Oxum com Yemanjá”, na Praia das Vacas, no município paulista de São Vicente. Depois, esse “encontro” deixou de ocorrer e a data ficou reservada para festejar apenas Yemanjá.

Em João Pessoa, 08 de dezembro é o feriado municipal consagrado a Nossa Senhora da Conceição e também o dia de tradicional Festa de Yemanjá. Todos os anos, na Praia de Tambaú, instala-se um palco circular cercado de bandeiras e fitas azuis e brancas, ao redor do qual se aglomeram fiéis oriundos de várias partes do Estado para assistir ao desfile dos Orixás e, principalmente, da homenageada. Pela praia, encontram-se buracos com velas acesas, flores e presentes. Em 2008, segundo os organizadores da festa, 100 mil pessoas compareceram ao local.

Ainda em 08 de dezembro a Bahia realiza outras duas festas para Yemanjá. Uma delas acontece pelo sincretismo com a Padroeira da Bahia, Nossa Senhora da Conceição da Praia, sendo feriado municipal em Salvador. A outra é realizada no Monte Serrat, na Pedra Furada, em Salvador, denominada “Presente de Yemanjá”, uma manifestação popular que tem origem na devoção dos pescadores locais à Rainha do Mar, também saudada como Janaína.

Existe um sincretismo entre a Santa Católica Nossa Senhora dos Navegantes e o Orixá Yemanjá. Em algumas regiões do Brasil, ambas são festejadas no dia 02 de fevereiro, com uma grande procissão fluvial.

Uma das maiores festas do Dois de Fevereiro ocorre em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. No mesmo Estado, em Pelotas, a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes vai até o Porto de Pelotas. Antes do encerramento da festividade Católica, acontece um dos momentos mais marcantes da celebração: as embarcações param e são recepcionadas por Umbandistas que carregam a imagem de Yemanjá, proporcionando um encontro ecumênico assistido da orla por muitas pessoas. Em Pelotas, a Festa de Yemanjá acontece à noite, sob a coordenação da Federação Sul Riograndense de Umbanda e com o apoio da Prefeitura; e durante o dia a Festa Católica a Nossa Senhora dos Navegantes é organizada pela Diocese local.

No Rio de Janeiro, Yemanjá é festejada na passagem de ano. Milhares de pessoas comparecem e depositam no mar oferendas para a Divindade. A celebração inclui o tradicional "banho de pipocas" e as sete ondas que os fiéis e até mesmo seguidores de outras religiões pulam, como forma de pedir sorte à Grande Mãe Orixá (sete ondas, simbolizando os sete Sentidos da Vida).

A Grande Festa da Praia do Rio Vermelho- Na Bahia, Yemanjá é geralmente sincretizada com Nossa Senhora da Imaculada Conceição, Santa Católica que se comemora no dia 08 de dezembro. No entanto, a maior festa baiana para Yemanjá é celebrada em 02 de fevereiro.

Em Salvador, segundo a liturgia Católica, 02 de fevereiro é o dia consagrado a Nossa Senhora das Candeias, Santa que é sincretizada com Oxum, o Orixá das águas doces. Curiosamente, é justamente nesta data que se organiza a maior festa do país em homenagem à "Rainha do Mar”; o que mostra que o sincretismo entre os Orixás e os Santos Católicos não é de uma rigidez absoluta. Por isso, considera-se que a Festa de Yemanjá, em dois de fevereiro, é a única grande festa religiosa baiana que não tem origem no Catolicismo, e sim no Candomblé.

A grande Festa do Dois de Fevereiro acontece na Praia do Rio Vermelho, em Salvador. A celebração Católica acontece na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, em Salvador, na Cidade Baixa; enquanto os Terreiros de Candomblé e Umbanda fazem divisões cercadas com cordas, fitas e flores nas praias, delimitando espaço para as Casas de Santo que realizarão seus trabalhos na areia, em louvor a Yemanjá.

A Festa atrai imensa multidão de fiéis e de admiradores da Mãe das Águas, Dona Janaína, a Princesa ou a Rainha do Mar. Milhares de pessoas trajadas de branco saem em procissão até ao templo-mor, localizado próximo à foz do Rio Vermelho, onde depositam variadas oferendas.

Bem cedo pela manhã, longas filas de pessoas se formam diante da pequena casa construída na véspera, a fim de abrigar as grandes cestas destinadas a receber os donativos e as oferendas para Yemanjá.

Durante todo o dia, forma-se um lento desfile de pessoas de todas as origens e meios sociais, trazendo ramos de flores frescas ou artificiais, pratos de comida feitos com carinho, frascos de perfumes, sabonetes embrulhados em papel transparente, bonecas, cortes de tecidos e outros presentes agradáveis “a uma mulher bonita e vaidosa”. Cartas e súplicas, presentes em dinheiro, colares e pulseiras não faltam. A aparente simplicidade desses fiéis não desnatura o caráter emocionante da festa, onde se pode sentir intensa Vibração da Mãe Divina sobre os Seus filhos que, como crianças, vão levar-lhe “presentes” cujo maior valor está no amor e na devoção que Lhe consagram. E, afinal, o que somos nós, além de crianças, diante de Deus e das Suas Divindades? ...

Em algumas horas as cestas de oferendas já estão cheias e são substituídas por outras. Ao final da tarde, os ramos de flores são colocados em cima das cestas, transformando-as, assim, numas 30 braçadas de flores, imensas. O entusiasmo da multidão chega ao máximo, com gritos alegres, saudações a Yemanjá e votos de prosperidade.

Uma parte da assistência embarca a bordo de veleiros, barcos e lanchas a motor, que se dirigem para o alto mar, onde as cestas são depositadas sobre as ondas. Segundo a tradição, as oferendas “aceitas” devem mergulhar até ao fundo. Se forem devolvidas à praia, é sinal de “recusa”, para tristeza dos fiéis.

Em dois de fevereiro de 2010, pela primeira vez, a escultura de uma sereia negra, criada pelo artista plástico Washington Santana, foi escolhida para representar Yemanjá na grande Festa do Rio Vermelho, em homenagem à Àfrica e à religião afrodescendente.

Curiosidades sobre a Festa do Rio Vermelho

1- Fonte: http://www.culturatododia.salvador.ba.gov.br- A tradição da Festa da Praia do Rio Vermelho teve início em 1923, quando um grupo de vinte e cinco pescadores resolveu oferecer presentes para a Mãe das Águas. Na época, os peixes estavam escassos no mar.

No início, a celebração era feita em conjunto com a Igreja Católica, numa demonstração do sincretismo religioso da Bahia. Na década de 1960, um Padre teria ofendido os pescadores, chamando-os de ignorantes, por cultuarem “uma sereia”. O fato provocou um rompimento com a Igreja, e a partir daí os pescadores passaram a realizar a festa apenas em homenagem a Yemanjá.

Presente principal: Todos os anos os pescadores pedem a Yemanjá que lhes dê fartura de peixes e um mar tranquilo, e preparam um presente principal para a Ela oferecer.

Segundo a lenda, o cavalo marinho é o guardião da casa de Yemanjá, e o seu mensageiro mais rápido. É comum que imagens deste animal sejam oferecidas pelos devotos. Em 2007, o presente principal dos pescadores foi uma imagem de um cavalo marinho adornado.

Sobre o presente principal vão as oferendas preparadas pela Ialorixá responsável pelo comando da festa. Esse preparo demora sete dias e é cercado de rituais e fundamentos sagrados e as oferendas incluem: flores, perfumes, espelhos, fitas, anéis, colares, brincos, pentes, jóias, bijuterias, relógios, maquiagens, bonecas, velas, bebidas e comidas (manjar; fava cozida com camarão, cebola e azeite doce; champanhe, dentre outros).

Acredita-se que alguns presentes não afundam porque não agradaram Yemanjá, que os devolve. Em geral, presentes feitos com materiais leves ou ocos costumam não afundar. Nem mesmo o presente principal, feito pelos pescadores, está livre deste infortúnio. Algumas vezes foi preciso amarrá-lo a algo pesado, para que pudesse afundar. Atualmente, os ambientalistas alertam que muitos animais marinhos morrem ao ingerir os presentes jogados no mar que não se decompõem. E os pescadores que organizam o Dois de Fevereiro estão começando a se preocupar mais com o aspecto ecológico que envolve a festa.

Nas ruas desfilam grupos de samba de roda e ijexá, capoeira, blocos afros, grupos fantasiados e fanfarras, entre outros. Alguns desfilam exclusivamente na Festa do Rio Vermelho, numa prova da devoção do povo baiano.

A escultura de Yemanjá, localizada em frente à Casa do Peso, foi confeccionada por Manoel Bonfim, em 1970. Trata-se de uma escultura de uma sereia feita de gesso, assentada sobre um pedestal de concreto revestido com apliques variados, conchas e pedras portuguesas.

2- Fonte: http://www.faced.ufba.br/~dept02/calendario/yemanja.html- Site da Universidade Federal da Bahia.Texto: “Festa de Yemanjá”, de Antonietta de Aguiar Nunes, Historiógrafa do Arquivo Público da Bahia e Professora Assistente de História da Educação na Universidade Federal do mesmo Estado. Segue um resumo da matéria.

Dois de fevereiro é- oficiosamente- feriado na Bahia, data da mais importante festa dedicada a Yemanjá. Antigamente, a festa acontecia no terceiro domingo de dezembro, em Itapagipe, em frente ao antigo Forte de São Bartolomeu. Os senhores davam aos seus escravos uma folga de quinze dias para festejarem a sua rainha. Compareciam para mais de 2.000 africanos.

Tio Ataré, residente na Rua do Bispo, em Itapagipe, era o Pai de Santo que comandava os festejos. Os presentes eram colocados numa grande talha ou pote de barro que depois era atirada ao mar. A festa durava quinze dias, durante os quais não faltavam batuques e comidas típicas baianas. Hoje, ela dura só o dia 02, apenas se prolongando pelo fim de semana seguinte quando próximo.

Diz uma lenda que no Rio Vermelho havia uma rendosa armação de pesca de xaréu, peixe muito abundante ali. Certa vez, junto com os peixes, veio na rede uma sereia. O proprietário do aparelho, “querendo viver em paz com a gente debaixo d’água”, mandou soltá-la imediatamente. Anos depois, outro era o dono da armação; e novamente caiu uma sereia na rede, que foi pega e carregada por dois pescadores para assistir missa na igreja do povoado. Ela ficou chorosa e envergonhada, o tempo todo; terminada a cerimônia, soltaram-na à beira-mar. Desde então, nunca mais se pegou sequer um xaréu nas águas do porto de Santana do Rio Vermelho. 

O PINTOR LICÍDIO LOPES, morador antigo do Rio Vermelho, conta em suas memórias que entre a praia do Canzuá e a da Paciência, por cima das pedras, havia uma gruta muito grande que os antigos diziam ser a casa da Sereia ou Mãe d’ Água; porém ela não morava mais ali e a gruta estava abandonada. Os presentes para a Mãe d’ Água eram colocados na gruta e nesta pedra. Na década de 20 do século XX, uma pedreira destruiu a gruta; mas permaneceu a pedra da Sereia. Agora que não existe mais a gruta, os presentes são colocados em todas as praias, de preferência na maré enchendo ou cheia.

Ele conta ainda que a idéia do grande presente para Yemanjá não veio do Candomblé, mas de um pescador, querendo reviver a festa do Rio Vermelho, já que a de Santana estava ficando menos concorrida. Pescadores e peixeiros decidiram dar um presente à Mãe D’Água, no dia 02 de fevereiro, e se reuniram para organizar a festa, que começava pela manhã com uma missa na igreja de Santana; e à tarde colocavam o presente para a Rainha do Mar. Um padre não gostou que se misturasse missa com presente para uma sereia, e eles resolveram não celebrar mais missa e apenas colocar o presente para Yemanjá, à tarde.

Ocorreram algumas dificuldades e imprevistos e alguém lembrou que essa obrigação era feita na África, onde Yemanjá é Mãe de todos os Orixás. Como no Rio Vermelho não existisse algum Terreiro, na ocasião, foram procurar em outros bairros uma Casa que se encarregasse das obrigações. A Mãe de Santo Júlia Bugan, que tinha Casa de Candomblé na Língua de Vaca, perto do Gantois, foi quem orientou o que se devia comprar, fez os trabalhos e preceitos, colocou na talha que pedira e dentro do balaio, enfeitou-o com muitas fitas e flores e mandou-o para a casinha de pescadores no dia 2 de manhã. A partir de então, continuaram fazendo sempre este preceito, para tudo correr bem. De 1988 a 1990, o preceito foi realizado por Waldelice Maria dos Santos, do Engenho Velho da Federação. A partir de 1967 o Departamento de Turismo passou a ajudar. Em 1969 foi feito o pedestal junto à casa dos pescadores e colocada a estátua de uma sereia feita por Manuel Bonfim.

Às quatro da tarde saem os barcos com os balaios cheios de oferendas a serem lançadas em alto mar. Quando as embarcações voltam para a terra, os acompanhantes não olham para trás, pois se acredita que faz mal.

JORGE AMADO conta que se Yemanjá aceitar a oferta dos filhos marinheiros, o ano será bom para as pescarias, o mar será bonançoso e os ventos ajudarão aos saveiros. Mas se Ela recusar, as tempestades se soltarão, os ventos romperão as velas dos barcos, o mar será inimigo dos homens e os cadáveres dos afogados boiarão em busca da terra de Aiocá...

Lendas

1- Yemanjá cura Oxalá e ganha o poder sobre as cabeças

Quando Olodumare fez o mundo, deu a cada Orixá um reino, um posto, um trabalho.

Exu recebeu o poder da comunicação e a posse das encruzilhadas;

Ogum, o poder da forja, o comando da guerra e o domínio dos caminhos;

Oxóssi foi designado patrono da caça e da fartura;

Obaluayê, o controle das epidemias;

Oxumaré ganhou o arco-íris e o poder de comandar a chuva, que permite as boas colheitas e afasta a fome;

Xangô recebeu o poder do trovão e o império da lei;

Yansã ficou com o raio e o reino dos mortos;

Euá foi governar os cemitérios;

Oxum recebeu o amor e o zelo pela feminilidade, a riqueza material e a fertilidade das mulheres;

Obá ganhou o patronato da família;

Nanã recebeu a sabedoria dos mais velhos;

Oxalá recebeu o privilégio de criar o homem, depois que Odudua fez o mundo.

E a criação se completou com a obra de Oxaguiã, que inventou a arte de fazer os utensílios, a cultura material.

Para Yemanjá, Olodumare destinou os cuidados de Oxalá: cuidar da casa, dos filhos, da comida, do marido, de tudo enfim.

Yemanjá trabalhava e reclamava: se todos tinham algum poder no mundo, um posto pelo qual recebiam sacrifício e homenagens, por que ela deveria ficar em casa feito escrava? Yemanjá não se conformava. Ela falou, falou, e falou nos ouvidos de Oxalá... Falou tanto, que Oxalá enlouqueceu. Seu ori, sua cabeça, não aguentou o falatório de Yemanjá...

Yemanjá se deu conta do mal que provocara e tratou de Oxalá, cuidando de seu ori enlouquecido, oferecendo-lhe água fresca, obis deliciosos, apetitosos pombos brancos, frutas dulcíssimas. E Oxalá ficou curado.

Então, com o consentimento de Olodumare, Oxalá encarregou Yemanjá de cuidar do ori de todos os mortais. Yemanjá ganhou, enfim, a missão tão desejada.

Agora Ela era a Senhora das cabeças. (Fonte: “Mitologia dos Orixás”, Reginaldo Prandi, Companhia das Letras, 2005, páginas 397/399.)

2- Yemanjá ajuda Olodumare na criação do mundo

Olodumare-Olofin vivia sozinho no Infinito, cercado apenas de fogo, chamas e vapores, onde quase nem podia caminhar. Cansado desse seu universo tenebroso e de não ter com quem falar ou com quem brigar, decidiu pôr fim àquela situação. Liberou as suas forças e a violência delas fez jorrar uma tormenta de águas.

As águas debateram-se contra rochas que nasciam e abriram profundas e grandes fendas no chão. A água encheu as fendas ocas, fazendo-se os mares e oceanos, em cujas profundezas Olokum foi habitar.

Do que sobrou da inundação se fez a terra.

Na superfície do mar, junto à terra, ali Yemanjá formou seu reino, com suas algas e estrelas do mar, peixes, corais, conchas, madrepérolas. Ali nasceu Yemanjá, em prata e azul, coroada pelo arco-íris Oxumarê.

Olodumare e Yemanjá, a Mãe dos Orixás, dominaram o fogo no fundo da Terra e o entregaram ao poder de Aganju, o mestre dos vulcões, por onde ainda respira o fogo aprisionado.

Eles apagaram o fogo que se consumia na superfície do mundo; e com as cinzas Orixá Ocô fertilizou os campos, propiciando o nascimento das ervas, frutos, árvores, bosques e florestas, que foram dados aos cuidados de Ossaim.

Nos lugares onde as cinzas foram escassas, nasceram os pântanos e nos pântanos a peste, que foi doada pela Mãe dos Orixás ao filho Omolu.

Yemanjá encantou-se com a Terra e a enfeitou com rios, cascatas e lagoas. Assim surgiu Oxum, dona das águas doces.

Quando tudo estava feito e cada natureza se encontrava na posse de um dos filhos de Yemanjá, foi que Obatalá, respondendo diretamente às ordens de OLORUM, criou o ser humano. E o ser humano povoou a Terra.

E os Orixás foram celebrados pelos humanos. (Fonte: Reginaldo Prandi, obra citada, páginas 380/381.)

3- Yemanjá irrita-se com a sujeira que os homens lançam no mar

Logo no princípio do mundo, Yemanjá teve motivos para desgostar da humanidade: os seres humanos sujavam suas águas com lixo, jogando no mar tudo o que a eles não servia, velho ou estragado; até mesmo cuspiam em Yemanjá, quando não faziam coisa pior.

Ela foi queixar-se a Olodumare. Assim não dava para continuar. Yemanjá Sessu vivia suja, sua casa estava sempre cheia de porcarias.

Olodumare ouviu seus reclamos e deu-lhe o dom de devolver à praia tudo o que os humanos jogassem de ruim em suas águas.

Desde então as ondas surgiram no mar. As ondas trazem para a terra o que não é do mar. (Fonte: Reginaldo Prandi, obra citada, página 392.)

4- Yemanjá vai morar no mar

Yemanjá estava casada com Olofin-Odùduà, rei de Ifé. Cansada de sua permanência em Ifé, Yemanjá foge em direção ao Oeste, levando consigo uma garrafa contendo um preparado, que ganhara de Olokun com a recomendação de quebrá-la no chão, em caso de extremo perigo.

Assim, Yemanjá foi instalar-se no Oeste, que os Iorubás chamavam de "o entardecer da Terra". E Olofin-Odùduà lançou seu exército à procura da mulher.

Cercada, Yemanjá não se deixou prender, não queria voltar para Ifé. Então, Ela quebrou a garrafa que ganhara de Olokun, seguindo as instruções recebidas.

Na mesma hora, um rio criou-se ali, levando Yemanjá para Okun, o oceano, lugar da morada de Olokun.

5- Yemanjá recebe a ajuda de Xangô, um de seus filhos

Yemanjá é representada com o aspecto de uma matrona de seios volumosos, símbolo de maternidade fecunda e nutritiva. Esta particularidade de possuir seios majestosos deu origem a desentendimentos entre Yemanjá e o marido, segundo uma lenda que apresenta três versões:

Primeira versão: Diz a tradição Iorubá que Yemanjá era a filha de Olokum, deus do mar. Em Ifé, tornou-se a esposa de Olofin-Odùduà, com o qual teve dez filhos, todos eles Orixás. De tanto amamentar seus filhos, os seios de Yemanjá tornaram-se imensos.

Quando fugiu de Ifé, indo para Abeokutá, Yemanjá continuava muito bonita e Okerê lhe propôs casamento. Ela aceitou, com a condição de que o marido jamais ridicularizasse a imensidão dos seus seios.

Um dia, Okerê voltou para casa embriagado e criticou os seios da esposa. 
Ofendida, Yemanjá fugiu. Okerê colocou seus guerreiros para persegui-la.

Cercada, Ela lembrou que tinha recebido de Olokun uma garrafa, com a recomendação de que só a abrisse em caso de necessidade. Yemanjá tropeçou e quebrou a garrafa. Nasceu então um rio de águas tumultuadas, que levaria Yemanjá para o oceano, morada de Olokun.

Tentando impedir a fuga da mulher, Okerê se transformou numa colina.

Vendo seu caminho bloqueado, Yemanjá chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos. Xangô lançou um raio que cortou a colina Okerê em duas, abrindo passagem para Yemanjá, que foi para o oceano, ao encontro de Olokun, e nunca mais voltou para a terra. Ainda existe, na Nigéria, uma colina dividida em duas, de nome Okerê, que dá passagem ao rio Ògùn, que corre para o oceano.

Segunda versão: Ao desentender-se com o marido, Yemanjá, indignada, bateu com o pé no chão e se transformou num rio, a fim de voltar para os domínios de Olokun, o oceano.

Terceira versão: Diante da zombaria do marido, Yemanjá começou a chorar. Chorou tanto, que de seus olhos desceram águas tumultuadas que a tudo tragaram: casa, marido, filhos, animais, a cidade inteira... Ninguém se salvou das ondas geradas pelo pranto de revolta de Yemanjá.

Desde então, Ela vive no fundo do mar, longe dos homens, reinando sozinha em seu império de conchas e peixes...

Divindades assemelhadas

Tétis- Divindade grega que forma com Oceano um casal de Titãs, filhos de Urano e Géia. Tétis e Oceano são as primeiras Divindades Marinhas, das quais os outros deuses ou deusas do mar são descendentes. É a primeira Mãe do Mar, das águas primordiais.

Hera- Divindade grega. Entre os romanos era Juno. A esposa mais ciumenta de Zeus, cujo casamento era o mais sagrado, mostrando a importância da união. Deusa do casamento e do parto.

Nereidas- Divindades gregas. Filhas de Nereu com Dóris, a Oceânida. São 50 Nereidas, todas Divindades Marinhas.

Sereias Gregas-Divindades gregas que trazem o dom para a música, o canto e o manejo da lira e da flatua, o que traz semelhança com as musas gregas. Com frequência, aparecem como filhas de Aquelóo (“Deus-rio”, filho de Oceano e Tétis).

Parvati- Divindade hindu, consorte de Shiva e mãe de Ganesha. É a Mãe Divina em todos os aspectos.

Aditi- Divindade hindu. Mãe dos deuses, no Rig-veda (1500-1000 a.C.). Mãe do deus do sol (Mitra), do deus da verdade e da ordem universal (Varuna) e também de Indra (o Rei dos deuses).

Danu- Divindade celta, consorte de Bile (ou Beli). É a “Água do Céu”, a grande Mãe. Do seu nome vem a origem do Rio Danúbio, onde primeiro surgiram as raízes da cultura celta.

Mut- Divindade egípica. “A mãe”, em Karnak. (*Observação: MUT era esposa de AMON, deus que ocupava a principal edificação do Templo de Karnac, construído entre 2200 a.C. e 360 a.C. Este Templo de Karnak era o principal local de culto aos deuses de Tebas, entre os quais se destacavam: Amon, Mut e Khonsu. Até o fim da civilização egípcia, Karnak se manteve como centro religioso do Império: Amon-Ra (a forma solarizada do deus Amon) e seus sacerdotes adquirem então um poder prodigioso, que chegou a ameaçar a própria instituição faraônica.)

Aruru- Divindade babilônica. Um dos nomes da Grande Deusa Mãe na mitologia babilônica.

Namur- Divindade-Mãe sumeriana, mãe de Enki e Ereshkigal. Deusa dos Mares, que criou o céu e a terra e gerou várias Divindades, quando a terra foi arrebatada ao céu.

Belet Ili- Divindade sumeriana, “Senhora de todos os deuses”, Grande Deusa Mãe. Consorte de Enki. Divindade do útero e das formas. Ela criou inicialmente sete homens e sete mulheres que, com o tempo, se tornaram a civilização conhecida.

Nanshe- Divindade-Mãe sumeriana festejada com procissões de barcos, nas quais eram depositadas suas oferendas a serem entregues no mar.

Frigga- Divindade nórdica, a Grande Mãe da maioria dos deuses, uma das três esposas de Odin. Frigga é o aspecto Mãe; enquanto Freyja é o aspecto sensual, donzela.

Belat- Divindade caldéia, esposa de Bel. É a “Mãe dos Grandes Deuses” e “Senhora da Cidade de Nipur”.

Coatlicue- Divindade asteca, Mãe de todas as outras divindades. Usa uma saia de serpente e é também Senhora da vida e da morte. Também adorada como Mãe da Terra.

Yngona- Divindade dinamarquesa, é a Grande Mãe.

Mama Cocha- Divindade inca. Cultuada não apenas pelos incas, mas por muitas outras tribos e culturas. É a Mãe do Mar e Senhora dos peixes.

Mariamma- Divindade hindu, Senhora do Mar e de tudo o mais que ele representa e traz de benefícios para nós.

Marah- Divindade caldéia, Senhora das águas salgadas, Mãe que vem do mar. 

Derketo- Divindade assíria, aparece como sereia. Senhora da Lua e da noite, protetora dos animais que habitam o mar.

Mari Ama- Divindade escandinava do mar.

Ilmatar- Divindade finlandesa da água, Grande Mãe criadora que está na origem de tudo.

Annawan- Divindade indonésia do Mar.

Bachue-Divindade colombiana dos índios Chibchas. Seu nome significa “grandes seios”. Junto com seu filho, Ela criou a humanidade.

(Fonte: “Deus, “Deuses” e Divindades, Alexandre Cumino, Madras Editora, 2004, páginas 127/130.)

Características dos filhos de Yemanjá

As filhas (e filhos) de Yemanjá possuem como características básicas a força e a determinação, assim como o sentido da amizade e do companheirismo; são pessoas presas no arquétipo da mãe, à família e aos filhos. São doces, carinhosas, tradicionais, pouco rígidas, sentimentalmente envolventes e com grande capacidade de empatia com os problemas e sentimentos dos outros. Não gostam de mudanças e apreciam a rotina do cotidiano. São muito protetoras; possuem o sentido da hierarquia, fazem-se respeitar e são justas, mas formais. Põem à prova as amizades que lhes são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se a perdoam, não a esquecem jamais. Preocupam-se com os outros, são maternais e sérias.

Sem possuírem a vaidade de Oxum, gostam do luxo, das fazendas azuis e vistosas, das jóias caras. Elas têm tendência à vida suntuosa mesmo se as possibilidades do cotidiano não lhes permitem; mesmo quando pobres, pode-se notar certa sofisticação em suas casas, se comparadas com as demais da comunidade de que fazem parte.

As filhas e filhos de Yemanjá não podem ficar expostos à poeira, pois tendem a desenvolver problemas respiratórios.

São pessoas que não gostam de viver sozinhas, sentem falta da tribo, inconsciente ancestral, e por isso costumam casar ou associar-se cedo. Não apreciam as viagens, detestam os hotéis, preferindo casas onde rapidamente possam repetir os mecanismos e os quase ritos que fazem do cotidiano. Apesar do gosto pelo luxo, não são pessoas obcecadas pela própria carreira, sem grandes planos para atividades de longo prazo, a não ser quando se trata do futuro de filhos e entes próximos.

Mas nem tudo são qualidades em Yemanjá, como em nenhum Orixá. Seu caráter pode levar o filho desse Orixá à tendência de querer consertar a vida dos que o cercam- o destino de todos estaria sob sua responsabilidade-, a serem controladores, voluntariosos, capazes de fazer chantagens emocionais e, algumas vezes, impetuosos e arrogantes. Um filho de Yemanjá pode tornar-se controlador e rancoroso, remoendo questões antigas por anos e anos, sem esquecê-las jamais.

Os filhos de Yemanjá demoram muito para confiar em alguém, bons conhecedores que são da natureza humana. Porém, quando finalmente passam a aceitar uma pessoa no seu verdadeiro e íntimo círculo de amigos, deixam de ter restrições, aceitando-a completamente e defendendo-a, seja nos erros como nos acertos, tendo grande capacidade de perdoar as pequenas falhas humanas.

Oferendas

Modelo 1- Velas brancas e azuis; champanhe; um melão aberto numa das pontas; um punhado de arroz doce; peixe assado ou cozido com camarão, cebola e azeite doce; um punhado de canjica cozida com leite e mel (reservar o líquido do cozimento); rosas brancas; folhas de colônia (ou cardamono) para forrar a oferenda; folhas de alface para colocar o peixe e o arroz doce.

Pedir a Deus e à Mãe Yemanjá a imantação e consagração dos elementos da oferenda, para que liberem energias de cura e equilíbrio que nos auxiliem a alcançar nossos objetivos. Fazer o pedido específico.

Cobrir o chão com as folhas de colônia. No centro, colocar o melão e dentro dele, os grãos da canjica. O peixe e o arroz doce são postos sobre folhas de alface, à direita do melão. Circular com as flores. Em torno, firmar as velas (alternando: branca/azul). Circulando tudo, derramar o champanhe e o líquido do cozimento da canjica, saudando a Divina Mãe. Quando as velas queimarem, agradecer, pedir licença e recolher todo o material, para não agredir a Natureza.

Modelo 2- Faça um círculo com sete velas brancas, sete azuis e sete rosas; colocando no centro champanhe, calda de ameixa ou de pêssego, manjar de coco, arroz-doce e melão, rosas e palmas brancas, tudo depositado à beira-mar. (Fonte: “Código de Umbanda”, Rubens Saraceni, Madras Editora.)

Modelo 3- Toalha branca ou azul claro • velas, pembas, fitas e linhas na cor branca ou azul claro • flores (rosas brancas, palmas brancas, lírio branco) frutas (melão em fatias, cerejas, laranja lima, goiaba branca, framboesa) • bebidas (champanhe de uva e licor de ambrósia) • comidas: manjares; peixes assados; arroz doce com bastante canela em pó. Depositar à beira-mar. (Fonte: “Rituais Umbandistas-Oferendas, Firmezas e Assentamentos”, Rubens Saraceni, Editora Madras.)

Local das oferendas:
 à beira-mar. Tomar o cuidado de recolher todo o material após a queima das velas.

Quando oferendar Yemanjá

- Para Proteger a família.

- Para Harmonia do Lar, do Casamento, da Família, dos Sócios.

- Para Gerar oportunidades, bons negócios, harmonia, amor.

- Para iniciar algum projeto com proteção e êxito.

Firmeza para Yemanjá: 
Colocar dentro de uma quartinha azul clara, ou dentro de uma taça de cristal, 33 búzios e cobrir com água com alfazema. Trocar a água semanalmente.

Amaci: 
Água de fonte com pétalas de rosas brancas e erva cidreira, maceradas e curtidas por sete dias.

Cozinha ritualística

1-Manjar branco - Misturar 1 leite condensado, 2 medidas de leite de vaca (medir na lata do leite condensado), 1 leite de coco, 3 colheres de amido de milho ou de creme de arroz. Levar ao fogo, mexendo sempre, até formar um mingau firme e aparecer o fundo da panela. Despejar num pirex molhado; colocar calda de ameixa ou de pêssego por cima. Enfeitar com rosas brancas e coco ralado.

2-Acaçá de leite- Cozinhar 200 g de farinha de arroz em 1/2 litro de leite, 1/2 litro de leite de coco e açúcar cristal, mexendo sempre, até dar o ponto de enrolar os bolinhos. (Pode-se usar, no lugar da farinha de arroz, milho branco moído e deixado de molho no leite por 24 horas.) Oferendar apenas os acaçás, ou usá-los para decorar outra oferenda. Para Oxalá e Yemanjá, é costume servir os acaçás abertos; para os demais Orixás, eles são enrolados em folha de folha de bananeira ou de uva.

3-Canjica cozida em leite e enfeitada com oito camarões médios cozidos.

4-Camarão de Yemanjá- Camarão fresco (lavar em água e suco de limão) temperado com cebola, cheiro-verde, azeite de oliva e leite de coco. Bater no liquidificador e cozinhar.

Cobrir com ovos inteiros batidos e diminuir bem o fogo para o cozimento dos ovos.

5-Peixe Cozido: Refogar em fogo lento postas de peixe temperadas com sal, suco de limão e uma pasta de cebola e cheiro-verde passados pelo liquidificador. Quando estiver cozido, regar com azeite de oliva.

6-Peixe assado: Temperar e assar um dourado (ou namorado), regando com azeite de oliva. Servir em louça branca, rodeando o peixe com acaçás e/ou maçãs verdes fatiadas e previamente fervidas numa calda de açúcar.

7-Arroz com maxixe: Cozinhar arroz branco e colocar numa louça branca. Refogar levemente no azeite de oliva oito maxixes cortados em rodelas e colocá-los em cima ou em volta do arroz.

Alguns Caboclos de Yemanjá:
 Caboclo do Mar, Caboclo da Praia, Caboclo das Sete Ondas (Oxalá/Yemanjá), Caboclo dos Sete Mares (Oxalá/Yemanjá), Caboclo Beira-Mar (Yemanjá/Obaluaiê), Caboclo Sete Praias (Oxalá/Yemanjá), Cabocla Iara, Cabocla Estrela Dalva, Cabocla Sete Ondas (Oxalá/Yemanjá), Cabocla Jandira, Cabocla Sete Contas (Oxalá/Yemanjá/Oxóssi).

Alguns Exus de Yemanjá: 
Exu do Mar, Exu da Praia, Exu Pinga Fogo (Xangô/Yemanjá), Exu dos Sete Mares (Oxalá/Yemanjá), Exu Sete Praias (Oxalá/Yemanjá), Exu das Sete Ondas (de Oxalá e Yemanjá).

PRECE

Mar imenso e profundo,
Aqui deixo todos os meus males,
Todas as más influências,
Todos os pontos negativos
Que possam perturbar
A minha evolução...
Recebe em tuas profundezas 
Tudo aquilo que me é maléfico
E devolve-me os fluídos eternos
Que hão de me tornar forte
Para que eu possa fortalecer
Todos aqueles que me rodeiam;
Enche-me o espírito de bênçãos
Para que eu possa abençoar
Toda a humanidade.
Em nome do Infinito Poder,
Lava-me a matéria
Para que eu possa conservá-la
Digna do espírito que me anima.
Deixo na imensidade da tua força
Todos os males;
E levarei comigo
Todo o Poder
Da Magia Superior que representas.
Saravá!

Saravá!

Saravá!


TRONO
TRONO FEMININO DA GERAÇÃO E DA VIDA
Linha
Geração
Fatores
Criativo (Fator puro) e Geracionista ou Gerador (Fator misto).
Essência
Aquática
Cor
Branco cristalino, prata ou azul claro.
(Em algumas Casas: Branco, azul claro. Também verde claro e rosa claro.)
Características
Maternal, protetora, competente, dedicada, mandona, possessiva, Intrigante, controladora.
Instrumentos
Abebé (leque prateado, em forma circular, que pode trazer um espelho no centro); adê (coroa ou diadema); braceletes e pulseiras.
Fio de Contas
Contas e Miçangas de cristal. Firmas cristal.
Também podem ser feitos de pequenas pedras de Água Marinha.
Ervas
1- Fonte: Adriano Camargo:
Ervas agressivas ou quentes de Yemanjá: Erva de bicho, buchinha do norte, alho. Verbos atuantes nas ervas quentes: invadir, transbordar, corroer, derramar.
Ervas equilibradoras ou mornas: Alfazema, anis estrelado, rosa branca, camomila, manjericão, erva de Santa Maria, mentruz, hibisco (flor), manjerona, mulungu (casca e raiz), noz moscada, margarida, sensitiva, arroz. Verbos atuantes nas ervas mornas: gerar, fluir, sustentar, avolumar.

2- Mais ervas de uso comum: As pétalas de flores brancas e azuis clarinhas em geral; abebê; aguapé; alcaparreira (ou galeata); alga marinha; alteia (ou malvarisco); anis estrelado; araçá da praia (ou araticum do brejo, ou maçã de cobra); azaléia; boldo; camélia; cavalinha (ou milho de cobra); coco de iri; colônia (ou cardamono); condessa; embaúba; erva cidreira; erva de Santa Luzia; flor de laranjeira; folha de leite; fruta da condessa; gardênia; gerânio; golfo; graviola; guariroba; guabiraba (ou guabiroba); hortelã; hortênsia; íris; jasmim; jarrinha; jequitibá rosa; lágrimas de Nossa Senhora; levante; lótus; mãe boa; macela; malva; malva branca; marianinha (ou trapoeraba azul); musgo marinho; nenúfar; olhos de Santa Luzia (ou trapoeraba branca); oriri; pata de vaca; rama de leite; papoula; plantas aquáticas; trevo; unha de vaca; valeriana; violeta.
Oferendas
1-Comidas rituais: Canjica branca, peixe de água salgada, arroz-doce com mel, camarão, acaçá, pudim, manjar branco com calda de ameixa ou de pêssego, sagu com leite de coco, cocada branca, bolo de arroz, ebôya e vários tipos de furá. (Observação: *Ebôya, eboia ou fava de Yemanjá- Comida ritual do Candomblé, feita com fava cozida refogada com cebolacamarãoazeite de dendê ou azeite doce. Pode ser feita com o milho branco na falta da fava, então recebendo o nome de Dibô. É oferecida especificamente a Yemanjá. *Furá- Comida votiva ou ritual, no Candomblé. São bolinhos ou bolas feitos de arroz, ou inhame, ou farinha de mandioca, ou farinha de milho.)
2-Frutas: Mamão, graviola, uvas brancas, melancia, melão, maçã verde, pêra, coco verde, coco seco, caqui, ameixa clara, uva-passa branca, pêssego, goiaba, melão, uvas dedo de dama (uva Juliana), laranjas doces, as frutas suaves em geral, nabo, pepino.
3-Bebidas: Água de coco, mel, água salgada ou potável, o champanhe claro e os sucos de suas próprias ervas e frutos.
4-Flores: Rosas e palmas brancas, angélicas, orquídeas, crisântemos brancos.
Símbolo
Lua minguante, ondas, peixes.
Pontos da Natureza
Mar.
Flores
Rosas e palmas brancas, flor de laranjeira, hibisco, angélicas, orquídeas, crisântemos brancos, hortênsia, azaléia, gerânio, papoula, nenúfar (a flor da planta aquática de mesmo nome, também conhecida como lótus branco).
Essências
Jasmim, Rosa Branca, Orquídea, Crisântemo.
Pedras e Minérios
Pedras: Pérola, Água Marinha, Lápis-Lazúli, Calcedônia, Turquesa, Diamante, Madrepérola, Zircão, Quartzo Azul, Topázio Azul e pedras azuis em geral. Dia indicado para consagrar: domingo. Hora indicada: 10 horas.
Minério: Platina. Dia indicado para a consagração: sábado. Hora indicada: 12 horas.
Metal
Prata, Cobalto e Chumbo.
(Observação: A maior parte da Prata é um subproduto da mineração de Chumbo e está frequentemente associada aoCobre. Dentre os metais, é a que mais conduz corrente elétrica, superando o Cobre e o Ouro.)
Saúde
1-Psiquismo e Sistema Nervoso- quadros ligados às emoções, que sempre são relacionadas ao elemento água e às influências da Lua e de Netuno, planetas associados ao Orixá Yemanjá.
2-Porque Yemanjá é a Regente do Sentido da Geração e da Vida, ligado ao Chakra Básico, também estão envolvidos a coluna vertebral, os rins, o aparelho reprodutor e os membros inferiores e alguns músculos.
As musculaturas que podem ser atingidas por um bloqueio nessa região sãoglúteos, diafragma pélvico, músculos internos da barriga e da região lombar (abdominais, lombares, lombo sacrais e glúteos médios).
Pessoas com estes bloqueios podem apresentar hemorróidas, dores lombares, tensão nas pernas e pés, problemas nos aparelhos urogenitais e dificuldades sexuais.
Planeta
Lua e Netuno.
Dia da Semana
Na Umbanda, os dias da semana consagrados a Yemanjá são a 2ª feira (regência da Lua) e a 6ª feira (dia de Vênus e de Netuno; sendo que o planeta Netuno, “o deus dos mares”, está diretamente associado a Yemanjá e à Linha dos Marinheiros).
No Culto de Nação e no Candomblé, no geral, Yemanjá tem como dia da semana o sábado. Alguns lhe dedicam a 6ª feira. 
Elemento
Seu 1º Elemento de atuação é a Água e o 2º elemento é o Cristal.
Chakra
Básico (ligado ao Sentido da Geração).
O chakra Básico (ou Raiz) fica na base da coluna vertebral, logo acima dos órgãos reprodutores. Dá sustentação aos demais chakras. Posição vertical, ele se abre para baixo, formando um eixo magnético com o chakra da Coroa.
Abrange: Alimentação, equilíbrio, saúde e finanças. Pode solucionar grande parte dos problemas comuns no ser humano.
Importância deste chakra: Ligado às glândulas supra-renais, é o responsável pela absorção da Kundalini (energia da terra) e pelo estímulo direto da energia no corpo e na circulação do sangue. Está muito ligado às sensações físicas e diretamente relacionado com os membros inferiores e os instintos físicos. Atua na irrigação dos órgãos sexuais.
Por meio dele é que entram as energias que nos conectam com a terra e com o mundo exterior.  Ligação com a terra, com o bem-estar físico, com o instinto de sobrevivência, com a vitalidade e com a sexualidade.
Está diretamente ligado à vontadeele nos dá motivação e energia para agir, fazer, realizar, ganhar nosso sustento, enfrentar obstáculos etc.
Na época atual, encontra-se passivo, na maioria dos indivíduos, pois só entra em atividade por um ato de vontade dirigida e controlada pelo iniciado. Por que isso? Porque o chakra Básico responde ao aspecto vontade.
Da mesma forma que o princípio “vida” está situado no coração, o princípio da “vontade” está situado no chakra Básico, na base da coluna.
Seu principal aspecto é a inocência, qualidade pela qual experimentamos a alegria pura, infantil, sem as limitações do preconceito e dos condicionamentos, e que nos dá dignidade, equilíbrio e um enorme senso de direção e propósito na vida. É apenas simplicidade, pureza e alegria.
No chakra Básico se unem matéria e espírito e a Vida se relaciona com a forma.  É o chakra onde a "serpente de Deus" (Energia Divina) experimenta duas transformações:1- A “serpente da matéria” permanece enrolada sobre si mesma, e se transforma na "serpente da sabedoria" quando despertamos nossa consciência de filhos de Deus2-A “serpente da sabedoria” sobe ao longo da coluna, até chegar ao topo da cabeça, no chakra da Coroa, e então se converte no "dragão de luz vivente", quando passamos a viver conectados com a Luz.
Essas etapas são nutridas pela Energia que flui através da coluna vertebral, por intermédio do cordão vertical (eixo magnético) que se forma do chakra Coronário ao chakra Básico.
Esta é uma representação da energia kundaliniuma Energia Divina que vem da Terra, que é básica para a nossa existência, e que desperta quando tomamos consciência de que somos espíritos imortais vivendo importantes experiências na carne. Ao tomarmos consciência da nossa origem Divina, a kundalini desperta e nos traz o prazer de viver, gratidão pela Vida etc. Então ela sobe pela coluna vertebral, até chegar ao chakra da Coroa, onde se encontra com as Energias que vêm do Alto (“as Energias do espírito”).
Cor de vibração do chakra Básico: vermelho.
Desequilíbrios neste chakra podem ser tratados com o uso de velas e demais elementos ligados a Yemanjá, a Divina Regente deste nosso centro de forças.
Saudação
Odô iyá, Odô Fiaba, Odôyabá! Odoyá Omi Ô! Odô cyaba!
Bebida
Champanhe branco, água mineral, calda de ameixa, calda de pêssego, “água de arroz” (deixar o arroz de molho em água mineral e depois utilizar essa água), água do cozimento da canjica.
Animais
Peixes, Cabra Branca, Pata ou Galinha branca.
Número
Na Umbanda, Yemanjá é associada ao número 08.
Data Comemorativa
Em algumas Casas: 02 de fevereiro, sincretizada com Nossa Senhora das Candeias (ou da Luz) ou com Nossa Senhora dos Navegantes;
Em outras: 08 de dezembro, sincretizada com Nossa Senhora da Conceição.
Quando sincretizada com Nossa Senhora da Glória, é festejada em 15 de agosto, data em que a Igreja Católica festeja a Ascensão ou Assunção (subida aos céus) da Virgem Maria.
Sincretismo
Nossa Senhora das Candeias (ou da Luz); Nossa Senhora da Conceição dos Navegantes; Nossa Senhora da Glória (nome que se dá à Virgem Maria pela sua Ascensão ou Assunção aos Céus; sendo que Maria é a Mãe, dentro da liturgia Católica).
Incompatibilidades
No Culto de Nação e no Candomblé, observam-se algumas proibições (euós ou quizilas) em relação ao Orixá Yemanjá: quiabo, feijão, peixe de pele; ataré (pimenta da costa). Para algumas Qualidades de Yemanjá, o dendê também é uma proibição. Tais elementos não podem ser a Ela ofertados.
Seus filhos e filhas de santo não podem consumir esses e também os seguintes alimentos:
1-de origem animal: a cabeça da galinha de angola; arraia; camarão vermelho; caranguejo; lula; peixes de pele; peixes vermelhos; sangue de animais;
2-de origem vegetal: inhame; uva branca; tangerina; banana-figo (muito parecida com a banana da terra, porém menor e com um teor de açúcar mais baixo); carambola; abóbora. (Fonte: “Culto aos Orixás, Voduns e Ancestrais nas Religiões Afro-brasileiras”, org. Carlos Eugênio Marcondes de Moura, Editora Pallas, 2004, páginas 48 e 190/193.)
Qualidades
Teoricamente, haveria 16 Qualidades de Yemanjá, mas o número geralmente encontrado é superior: Iemowo, Iamassê, Iewa, Olossa, Ogunté, Assabá, Assessu (ou Sessu ou Iyasessu), Sobá, Tuman, Ataramogba, Masemale, Awoió, Kayala, Marabô, Inaiê, Aynu, Susure, Iyaku, Acurá, Maialeuó, Conlá.

2-Na Bahia e em Cuba se diz que há uma Yemanjá, filha de Olokun, à qual se chega por sete caminhos. Daí falar-se em sete Yemanjás; sendo que cada nome diz respeito ao ponto da natureza onde a Divindade se encontra.
Segundo Lydia Cabrera, Antropóloga e Poeta cubana que viveu de 20 de maio de 1899 a 19 de setembro de 1991 e que é considerada uma autoridade em cultura afro-cubana, os sete nomes, sete caminhos ou sete Qualidades de Yemanjá e suas características são estas:
Iemowô, que na África é a mulher de Oxalá;
Iamassê, mãe de Xangô;
Euá (ou Yewá)- Rio que na África corre paralelo ao rio Ògùn;
Olossá, a lagoa na qual deságua o rio Ògùn;
Yogunté ou Ogunté, casada com Ogun Alagbedé. É uma amazona terrível; traz na cintura o facão e os outros instrumentos de ferro de Ogun. Adora carneiro e não tolera pato;
Assabá- Está sempre fiando algodão. Tem um olhar insustentável; é muito orgulhosa, e somente escuta dando as costas ou ficando ligeiramente de perfil. Usa uma corrente de prata amarrada no tornozelo. Foi mulher de Orumilá, que aceitava seus conselhos com respeito;
Assessú- É voluntariosa, muito séria e respeitável. Vive em águas agitadas. Gosta de comer pato. Muito lenta ao escutar os pedidos dos fiéis, esquece-os; e se põe a contar as penas do pato que lhe deram como oferenda. Quando se engana no cálculo, ela recomeça, e a operação se prolonga indefinidamente.
extraído de: www.seteporteiras.org.br / www.colegiodeumbanda.com.br